A importância de uma criptomoeda brasileira

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Certamente você observou como os criptoativos cresceram e ganharam espaço nos últimos anos, mesmo com sua utilização ainda gerando polêmicas. Não há dúvidas de que o Bitcoin e as altcoins vieram para ficar e que já estão incomodando e causando mudanças nos mercados tradicionais. Não só a utilização da tecnologia blockchain por grandes empresas, mas todo a aceitação dos indivíduos dos ativos digitais faz com que esse mundo saia da internet para ser algo do cotidiano em muitos países e o Brasil é um deles.



O Brasil é um grande polo dos criptoativos. Só para exemplificar, em 2019 fez uma movimentação de US$30 milhões em ativos digitais e tem o maior volume de transações de criptoativos na América Latina. Além disso, durante o período de crise do novo coronavírus, as maiores corretoras do Brasil apresentaram um crescimento de 15% a 30%. Outro dado importante, é o levantado pela Comissão de Valores Mobiliários. De acordo com a autarquia, o brasileiro não tem medo do mercado de criptoativos.



Sem dúvida, esse cenário mostra o quanto os ativos digitais estão ganhando o interesse do brasileiro. Contudo, será mesmo que é importante o lançamento de uma criptomoeda brasileira?

Para respondermos a essa pergunta, primeiro precisamos analisar se o ambiente brasileiro é propício para uma adoção maior dos ativos digitais e o que uma altcoin precisa ter para se destacar.

Brasil é o país com o maior número de bilionários da América Latina

Além de ser o maior e o mais populoso país da América do Sul, o Brasil também é o mais rico. Embora tenha um dos menores salários mínimos da América Latina, o Brasil é o país da região com o maior número de bilionários.

Sua taxa de idade média, 32 anos, também torna grande o interesse de seus habitantes em investimentos digitais. Uma população mais jovem significa, na maior parte dos casos, uma adoção digital, como telefones celulares, download de aplicativos, tempo gasto na internet e em criptoativos, maior.

A adoção de fintech, como Nubank, por brasileiros já está familiarizando os mesmos para a usabilidade de QR Codes e utilização de senhas para enviar seus recursos. Ou seja, no lado digital e populacional, vemos que o brasileiro está preparado para embarcar no setor dos criptoativos.

25% da população do Brasil não tem acesso a uma conta bancária

Conforme observado no relatório da eMarketer, 81% dos usuários de celulares do Brasil acessam sua conta bancária através de um aplicativo para smartphone. Em 2018, por exemplo, o aplicativo do Banco do Brasil foi um dos 10 mais baixados na região. Mesmo nesse cenário, ainda há uma grande parte da população brasileira sem banco. Cerca de 25% dos indivíduos ainda são desbancarizados.

O fato citado acima mostra como os criptoativos são importantes no maior país da América do Sul. Um dos motivos para o surgimento do Bitcoin foi exatamente resolver a dor de quem ainda não possui acesso ao sistema financeiro. Mais uma vez o Brasil se torna atraente para quem deseja entrar no mercado de ativos digitais.

Primeira etapa concluída. De acordo com os dados apresentados, o Brasil é um excelente ambiente para o crescimento dos criptoativos e até mesmo para criação e a adoção dos mesmos. Agora vamos entender:

O que uma altcoin brasileira precisa ter?

Um criptoativo que irá tirar a posição do Bitcoin, de fato, precisa de muita força. Conseguir destaque em frente ao criptoativo rei, não é nada fácil. Contudo, há muitos projetos que vêm se destacando e ganhando força frente aos ativos digitais mais antigos porque apresentam algumas características necessárias para serem promissores.

Como atualmente é relativamente fácil criar um criptoativo, os que estão surgindo, além de apresentarem um bom projeto e terem uma equipe de desenvolvimento transparente, precisam encontrar as dores dos usuários brasileiros e resolvê-las de maneira original. Afinal, não adianta tentar criar um Bitcoin, pois o BTC é o BTC há 11 anos.

Além disso, criar uma altcoin brasileira pode não ser uma tarefa fácil. Os indivíduos do país ainda são céticos aos projetos criados no Brasil, pois o país passou por muitos problemas de pirâmides financeiras. Sendo assim, não basta o projeto ser bom. A equipe por trás dele precisa apresentar confiança verdadeira para as pessoas. Caso contrário, o projeto não andará.

Com a segunda etapa finalizada, podemos agora analisar:

A importância de uma criptomoeda brasileira

Sem dúvida um país com uma população jovem, conectada a tecnologia e fora do sistema bancário, precisa de criptoativos. Apesar de haver muitos ativos digitais no mercado, uma altcoin brasileira se mostra necessária, pois apesar da desconfiança de projetos fraudulentos, os indivíduos costumam se mostrarem mais propensos a entenderem e aceitarem projetos que já falam sua língua e que se mostram mais próximo de seu cotidiano.

Outro fator importante que um criptoativo pode apresentar ao Brasil é que ele torna o país mais competitivo. Apesar de o Brasil ser um dos países emergentes, seus empresários certamente não desejam cair no mesmo erro da Europa que demorou dois anos a mais que os EUA para adotar o 4G e perdeu a onda do lançamento de várias empresas, como Facebook, Uber e Amazon.

Um ativo digital atualmente já passou da fase da “moda” e está entrando na fase de importância para economia. Um criptoativo reduz custos e tempo operacional de qualquer sistema em que ele é inserido. Ou seja, um país como o Brasil que está passando por uma situação delicada em sua economia, não precisa nem discutir se um criptoativo é necessário. A resposta é óbvia.

Bancos brasileiros cobram altas taxas de manutenção de contas porque são intermediários de transferências de valores. Com os criptoativos essa transação ocorre diretamente de pessoa para pessoa, o que reduz muito os custos da transferência de valor. Para indivíduos que desejam enviar dinheiro para familiares no exterior, o custo diminuído é ainda mais visível, já que taxas como IOF não são cobradas. Certamente um criptoativo brasileiro pode apresentar vantagens nessa área. Só para exemplificar, de janeiro a abril de 2020, saíram US$518 milhões do país.

 

No Brasil, não apenas o governo, mas os empresários precisam se atentar ao lançamento de um criptoativo. Os momentos de transição de tecnologias são de fato a hora ideal para identificar oportunidades que os tornem competitivos com outros países e empresas concorrentes. No momento em que a China trabalha incansavelmente para lançar sua moeda digital, o Facebook luta para apresentar ao mundo o Libra e a Suíça se torna o verdadeiro paraíso da “criptoeconomia”, o Brasil ainda tem espaço para crescer e ser destaque nesse mercado, principalmente na América Latina.

Resumo da ópera

Esperar que o governo ou grandes bancos se movam, é o mesmo que esperar que uma montanha saia do lugar. A inovação sempre veio do mercado, atendendo a necessidade das pessoas. O cidadão comum não quer uma conta bancária para ficar pagando mensalidade ou um cartão com anuidade. Ele simplesmente quer uma forma de armazenar seu capital com segurança e a liberdade de transferir seu dinheiro, quando e quanto ele quiser. Por isto as criptomoedas cresceram tanto desde 2009, com o lançamento do Bitcoin. Acredito que as moedas digitais estáveis, como a BRL Coin poderá preencher esta lacuna no mercado brasileiro, permitindo que desbancarizados possam digitalizar seu patrimônio, com segurança e liberdade que só a Blockchain permite.

Esse artigo foi escrito por André Horta, CEO da Bitcointoyou. Trabalha há mais de dez anos com Tecnologia da Informação para grandes empresas, como Vale, Gerdau, Usiminas, Fiat, Chrysler, Ford, Bank Bonsucesso, Bank IbiCred.

NOTA: As opiniões expressas aqui são as do autor e não representam ou refletem necessariamente as opiniões do BeInCrypto e de seus editores.

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André Horta é CEO da Bitcointoyou. Trabalha há mais de dez anos com Tecnologia da Informação. Graduado em Informações do Sistema pela PUC-SP. Foi também professor da Universidade Presidente Antonio Carlos e CEFET. Escreve como colunista no portal BeInCrypto.

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