Atlas Quantum: O suposto esquema de pirâmide mais sofisticado do Brasil

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EM RESUMO
  • Advogado considera a Atlas Quantum o esquema de pirâmide mais sofisticado do Brasil

  • Um ano depois, caso da Atlas Quantum está longe de terminar

  • Investidores compartilham suas lutas na justiça para recuperar bitcoin bloqueado

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A Atlas Quantum por anos atraiu milhares de clientes país afora com seus serviços de arbitragem de bitcoin. Em 2019, a empresa protagonizou um dos maiores escândalos já vistos no mercado brasileiro de criptomoedas.



A empresa tinha investidores de tudo que é tipo, desde pessoas que estavam se aventurando no mundo das criptomoedas pela primeira vez, investidores de grande porte, e até mesmo celebridades.

Ano passado, no entanto, o que parecia ser um negócio lucrativo estaria prestes a desmoronar e deixar muito gente de mãos vazias.



De repente, a empresa interrompeu os saques da plataforma, e impossibilita há mais de um ano, que investidores tenham acesso aos seus bitcoins. Agora, a Atlas Quantum é investigada por suspeita de pirâmide financeira pela CVM  e Polícia Federal.

Enquanto isso, pessoas que caíram no suposta fraude tentam correr atrás do prejuízo, que o bitcoin praticamente triplicando de preço de lá pra cá, não foi pouco.

Nas redes sociais, a Atlas Quantum vende uma imagem de tranquilidade. Mas as centenas de comentários negativos nas postagens, deixam claro a revolta de investidores que clamam por Justiça.

Comentários de usuários na última postagem da Atlas Quantum no Facebook

O fundador da empresa, Rodrigo Marques, abandonou o Brasil depois do escândalo e ninguém sabe dizer em que canto do mundo ele se esconde. Um misterioso maior ainda, é o paradeiro dos bitcoins dos investidores. 

Para saber mais sobre o como está a batalha contra a Atlas Quantum, o BeInCrypto relembre o caso.

O início de um sonho…

A Atlas Quantum foi fundada em 2016 pelo empresário Rodrigo Marques, e se propunha a ser uma plataforma referência de negociações de criptomoedas. No sistema, um robô era responsável pela serviço de arbitragem de bitcoin e prometia render lucros aos usuários.

Por anos, a Atlas construiu sua reputação no Brasil investindo pesado no marketing. Foi recomendada por grandes influenciadores digitais, e até mesmo aparecendo em propagandas na TV Globo.

As promessas de rendimento não demoraram muito para chamar atenção da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que em 13 de agosto de 2019, determinou o stop order da Atlas Quantum. O órgão entendeu que a empresa ofertava contratos de investimento coletivo, sem autorização da autarquia.  

…deu tudo errado

A partir daquele dia, a Atlas Quantum começou a atrasar os saques, o que rapidamente evoluiu para o bloqueio total de fundos dos investidores na plataforma. 

Levando ao pé da letra o ditado “a culpa é minha e eu coloco em quem eu quiser”, a Atlas atribuiu os atrasos às restrições da CVM. Depois, foi a vez das exchanges internacionais, que a empresa alegava terem bloqueado suas criptomoedas, o que logo foi desmentido pela Gate.io e HitBTC.

“Não confirmamos as reivindicações da Atlas Quantum. Além disso, a interface HitBTC no vídeo foi forjada, conforme detalhado aqui [nas imagens].”

Impedir que clientes saquem seus investimentos da plataforma é padrão de esquemas piramidais. Além da Atlas Quantum, casos famosos como da Unick e Genbit, atuavam da mesma forma.

O desespero se espalhou entre milhares de pessoas que temiam terem sidos vítimas de uma provável pirâmide financeira. 

Cadê meu bitcoin?

Joaquim Folha foi um dos investidores pegos de surpresa pelos bloqueios de saque. Ao BeInCrypto, ele contou que chegou a ir até a sede da empresa exigir a devolução de suas criptomoedas.

“Eu vi toda a equipe lá, sentada. Na hora que eu cheguei tinha até um pessoal jogando videogame, era como se tudo estivesse normal. Lá, me mostraram a auditoria feita pela Grant Thornton, e que estava tudo certo. Mas aí na hora que eu tava voltando pra casa, me deu aquele desespero de que poderia ter sido um golpe. Foi algo bem perturbador.” 

A “auditoria” que Joaquim se refere, é um documento de Procedimentos Previamente Acordados (PPA). Muito pressionada pelos clientes na época a dar satisfações de suas contas, a Atlas Quantum divulgou de forma enganosa a suposta auditoria, em uma tentativa de passar confiança aos usuários.

Há indícios de que a Atlas Quantum armazena uma grande quantia de bitcoin na wallet Wasabi. A carteira da rede Tor, faz mixing de bitcoin para dificultar a rastreabilidade das transações.

A empresa supostamente já transferiu 1,14 bilhão de reais (30.000 BTC) da sua plataforma para a carteira Wasabi, desde de maio de 2017.

Esses dados foram divulgados em setembro deste ano pela empresa WhiteStream, conhecida por investigar transações em blockchain de possíveis golpes. 

“Nossa investigação revela que o esquema Ponzi da #AtlasQuantum (Brasil), enviou sistematicamente US$ 200M de fundos roubados para carteira Wasabi.”

De mãos vazias

Antes de toda aquela situação acontecer, o investidor Renan Nahas tinha uma visão positiva da Atlas. Investiu pela primeira vez em 2017, quando colocou 1 BTC na plataforma e lucrou cerca de 4% no período.

Em agosto de 2019, fatídico mês em que a Atlas começaria a ser investigada, Nahas voltou a investir na empresa. Agora, ele se arrepende der colocado mais 0,6 BTC na plataforma.

“Foi muito frustrante porque eu tinha em mente que estávamos na baixa do bitcoin, e que ele valorizaria. Então foram duas angústias: não conseguir sacar e ter que assistir de fora a alta do bitcoin que veio depois.”

Justiça não garante ressarcimentos

O advogado Artêmio Picanço está na linha de frente na Justiça representando centenas de pessoas que processam a Atlas Quantum. Em conversa com o BeInCrypto, ele considera que a Atlas Quantum foi o caso de pirâmide financeira mais sofisticado do Brasil.

Sobre os processos, Picanço vê com otimismo o posicionamento do judiciário a favor das vítimas, bloqueando os valores solicitados

“Desde maio, o escritório já bloqueou milhões de reais para satisfação dos clientes. […] As pessoas falam que ‘o judiciário nunca dá certo’ mas depende da forma que você trabalha. Ações coletivas não funcionam. A gente precisa trabalhar de forma individual porque cada caso é diferente.”

A emissão dos bloqueios judiciais, entretanto, não significa que o cliente recebeu de fato o dinheiro de volta. Porém já é uma garantia que isso pode vir a acontecer no futuro.

Os dois investidores ouvidos pela reportagem, estão com processos abertos na Justiça contra a Atlas Quantum. Apesar de ambos confessarem que acham difícil algum dia ter de volta os bitcoins. De acordo com Nahas: 

“O processo de recuperar o dinheiro é triste, a nossa justiça é muito lenta. Não tenho nenhuma esperança de um dia recuperar o dinheiro de volta. Nitidamente foi um golpe e a empresa continua operando, eu acho isso um absurdo.”

Joaquim que hoje teria R$ 60.000 a mais na carteira se não fosse a Atlas Quantum, compartilha a mesma desolação.

“Esperança, sinceramente eu não tenho. A principal lição que eu aprendi com isso tudo foi não depender dos outros, como a Atlas, pra fazer meu dinheiro render.”

Investigações seguem na PF

De acordo com o advogado, o sistema judiciário do Brasil é lento, caro, e pouco eficiente. Ele argumenta que se não houver um endurecimento das leis, o país vai ser uma terra fértil de fraudes piramidais. 

No entanto, ainda resta fé nas investigações que tramitam em sigilo na Polícia Federal. A ação da PF poderia levar à prisão dos líderes da Atlas Quantum, e no melhor dos cenários, a apreensão do bitcoin de milhares de investidores.

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Saori Honorato é jornalista e para o BeInCrypto escreve sobre os principais acontecimentos do universo das criptomoedas.

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