Autocustódia: o que significa ser seu próprio banco?

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EM RESUMO
  • A tecnologia está a nosso alcance. O risco está na usabilidade.

  • Como uma unidade de criptomoeda é identificada na rede blockchain?

  • O que significa ser seu próprio banco? Prós e contras da autocustódia.

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The Trust Project é um consórcio internacional de veículos de notícias que criam padrões de transparência.

Existe uma razão pela qual os bancos existem: eles são especializados em segurança.

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Portanto, para que o ecossistema cripto possa realmente alcançar, na prática, a promessa do Bitcoin e da criptografia de possibilitar que as pessoas tenham seu próprio banco, algumas questões ainda precisam ser resolvidas.

Por exemplo: como pessoas comuns podem fazer a autocustódia com segurança? Quais responsabilidades elas assumem quando decidem custodiar seus próprios ativos? É possível que pessoas normais tenham um nível de segurança igual ou melhor que um banco?

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É isto que buscaremos responder neste artigo.

Solução tecnológica já existe, o risco está na tal “usabilidade”

Tenho certeza de que a maioria dos leitores do BeInCrypto está ciente do que significa a frase “Not Your Keys, Not your Crypto” – “sem suas chaves privadas, sem suas criptomoedas”, em uma tradução literal.

Para garantir que todos estão na mesma página antes de avançarmos, vamos usar exemplo do britânico James Howell para explicar uma das maiores dores de cabeça para os portadores de criptomoedas: o risco de usabilidade.

Não é de hoje os casos envolvendo perdas de Bitcoin por causa de esquecimento de senhas, pendrives extraviados e similares. Uma das histórias mais conhecidas é a do próprio Howell, que jogou no lixo um computador contendo mais de US$ 9 milhões em Bitcoin.

Funcionário de TI, Howell explorou a moeda virtual em 2009, quando ela era praticamente exclusiva dos geeks de tecnologia. Em 2013, ele jogou no lixo um disco rígido contendo mais de 7.500 BTC (o que equivaleria, hoje, a US$ 243 milhões). O dispositivo está enterrado sob uma montanha de lixo em um aterro sanitário no País de Gales e é quase impossível encontrar..

O caso ilustra o que é conhecido como “risco de usabilidade” e mostra como a quase totalidade dos problemas narrados pelos meios de comunicação envolvendo a aquisição de criptoativos não tem origem nos criptoativos, ou na tecnologia blockchain em si, mas na falta de cuidados especiais e na necessária mudança de atitude de quem deseja experimentar todas as vantagens proporcionadas pelas criptos.

Como uma unidade de criptomoeda é identificada na rede blockchain?

A blockchain é a estrutura que possibilita as transações de criptoativos e funciona com um par de chaves exigidas em todas as transações. Uma chave pública, que se parece com um número de conta bancária, e outra, privada, composta por até 78 números aleatórios ou 256 bits na linguagem computacional) que pode ser comparada ao PIN ou a uma senha de banco.

Um Bitcoin, por exemplo, é a representação de uma unidade monetária na rede de blockchain Bitcoin sem qualquer vínculo ao mundo físico, nem representação física em metal ou cédulas impressas em papel.

Uma unidade de Bitcoin é identificada na rede blockchain por uma chave pública, uma chave privada e um endereço público, e essas três informações possibilitam que as criptomoedas sejam transacionados na rede.

A chave privada é, portanto, uma espécie de senha que possibilita a seu detentor assinar as transações na rede e enviar Bitcoins para outra pessoa. Ela possibilita as transferências de uma pessoa para outra e, deste modo, quem possuir a chave privada de determinados Bitcoins pode enviá-los para quem quiser.

O que significa ser seu próprio banco?

Basicamente, você pode armazenar seu Bitcoin de duas maneiras: autocustódia e contratando um custodiante, ou seja, custódia por terceiros.

Neste último caso, você confia a uma empresa – como a Coinbase ou a Anchorage, entre outras – o armazenamento de seu Bitcoin, e são eles que têm o controle sobre sua chave privada.

Na autocustódia, você mesmo assume a custódia de seus Bitcoin e tem o controle total deles. Isso significa que é você quem gerencia sua própria chave privada – no jargão popular do mundo cripto, isto é chamado de “você é seu próprio banco”.

Essa é a origem da frase “Not Your Keys, Not Your Crypto”: se você não controla a chave privada, as criptos não lhe pertencem.

O contrário, nesse caso, também é verdade: “Your Keys, Your Crypto” (“suas chaves privadas, suas criptomoedas”). Se é você quem detém as chaves privadas, é você o único responsável pelo armazenamento adequado de suas criptomoedas. E, se perdê-las, não há como recuperá-las. Não há um Help Desk ou um gerente pra te ajudar.

Qual o melhor tipo de custódia para você?

Perspectivas em foco: confiança e ataque!

Optar entre custódia por terceiros e autocustódia se resume a duas perspetivas: confiança e ataques.

Sob a perspectiva da confiança, em quem você confia? Em uma empresa para guardar seus Bitcoins ou você confia mais em si mesmo?

Já da perspectiva dos ataques, do que você está tentando se proteger?

As exchanges são um pote de mel para os cibercriminosos, e os governos podem forçar as empresas a congelar fundos ou penhorar criptos que estejam em suas contas.

Por outro lado, os métodos de autocustódia estão sujeitos a erros, invasões e desastres naturais como terremotos, enchentes, incêndio em casa, etc.

Vejamos então, de forma mais objetiva, os desafios e as vantagens da autocustódia.

Prós e contras da autocustódia

A vantagem da autocustódia é que você está no controle total de suas criptos. Ninguém pode tirá-las de você se estiverem adequadamente armazenadas em uma carteira digital, e você é livre para fazer o que quiser com elas.

A autocustódia protege os detentores de cripto do confisco e ataques cibernéticos, como hacks, em entes centralizados.

Por outro lado, a desvantagem é que você pode perder suas criptos se não as armazenar corretamente.

Um erro comum é não fazer o backup da seed. Isso é importante porque é a única fonte de socorro caso haja uma falha no hardware onde elas estão armazenadas. Ela norlmalmente consiste em 12 a 24 palavras que precisam ser armazenadas em um lugar seguro.

Se alguém encontrar seu backup, poderá se apropriar de suas criptos.

Por isso, quem possui cripto precisa criar configurações mais elaboradas para o caso de o backup ser encontrado.

No entanto, isso às vezes pode resultar em perda de criptos por erro humano, como no caso de James Howell, e, principalmente, para quem tem problemas para lembrar senhas.

Outro erro de backup é anotá-lo em um papel, que pode ser facilmente perdido, danificado ou destruído.

É por isso que a melhor maneira de evitar dores de cabeça e a perda total de suas criptos é armazenar o backup em titânio ou aço, usando dispositivos Cryptosteel, Billfodl ou Cryptotag.

Foto: Tatiana Revoredo

Hot wallet Vs. hard wallet

É possível ter uma carteira de autocustódia conectada à Internet – chamada de hot wallet (carteira quente). As que não se conectam se chamam hard wallet (carteira fria).

As hot wallets têm o inconveniente de estarem mais sujeitas a ciberataques. Por este motivo, é aconselhável que apenas as moedas cujo uso seja necessário no dia a dia sejam armazenadas nelas. Todas as outras devem estar na hard wallet.

Como fazer autocustódia com segurança

É simples armazenar Bitcoins com segurança em uma carteira fria:

  1. Compre Bitcoin;
  2. Compre uma carteira de hardware:
    1. Simples: Ledger ou Trezor;
    2. Complexa: Coldcard;
  3. Faça um backup em titânioxcix ou aço.

Transfira a quantidade de cripto que você se sinta seguro para custodiar por si mesmo.

Takeaway: não podemos tapar o sol com a peneira

Uma das principais características das criptomoedas é a resistência á censura: nenhuma autoridade pode confiscar sua riqueza. Ninguém pode censurar suas transações.

O outro lado desta moeda é que, se você errar, alguém conseguir invadir sua carteira, encontrar uma falha na segurança cibernética de seu dispositivo ou se você perder suas chaves, não há ninguém que possa lhe devolver suas criptos e seu patrimônio investido nelas.

Um único erro pode ser catastrófico e, infelizmente, muitas pessoas já fizeram isso ao longo dos anos. São inúmeros os relatos e fracassos documentados e, provavelmente, há ainda muitas histórias que não foram documentadas, porque as pessoas têm vergonha de falar.

Não podemos tapar o sol com a peneira: autocustodiar criptomoedas possui riscos, exige conscientização e uma mudança de paradigma. Você está preparado?

Pense nisto até nosso próximo encontro. Nos vemos em breve, aqui no BeInCrypto.

Isenção de responsabilidade

Todas as informações contidas em nosso site são publicadas de boa fé e apenas para fins de informação geral. Qualquer ação que o leitor tome com base nas informações contidas em nosso site é por sua própria conta e risco.
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Tatiana Revoredo é membro fundadora da Oxford Blockchain Foundation e estrategista em blockchain pela Saïd Business School da Universidade de Oxford. Ela é também especialista em blockchain aplicada a negócios pelo MIT e mitigação de risco cibernético pela Harvard University, além de CSO da theglobalstg.com. Tatiana foi convidada pelo Parlamento Europeu para participar da Conferência Internacional de Blockchain, e pelo Congresso Brasileiro para a Audiência Pública do PL 2303/2015. É também autora de três livros: "Blockchain: Tudo O Que Você Precisa Saber", "Cryptocurrencies in the International Scenario: What Is the Position of Central Banks, Governments and Authorities About Cryptocurrencies?" e "Bitcoin, CBDC, Stablecoins, and DeFi".

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