O Banco Central (BACEN) anunciou medidas de combate à crise econômica provocada pelo coronavírus. O objetivo é aumentar a liquidez do mercado brasileiro. Valores somam R$ 2,4 TRI. Contudo, o BACEN ainda não publicou os seus balanços mensais em 2020.

O Banco Central do Brasil anunciou, ainda no final de março de 2020, que adotará medidas de impacto para enfrentar a crise econômica provocada pelo novo coronavírus (COVID-19).

Segundo a principal instituição financeira do país, haverá a injeção de liquidez de cerca de R$ 2,4 trilhões no mercado para reanimar a economia.

As providências do BACEN parecem seguir a tendência mundial: os bancos centrais de diversos países estão tentando fazer com que as suas economias não entrem em colapso; alguns estão apelando, inclusive, para a impressão de dinheiro.

Na União Européia, foi aprovado um pacote econômico de € 540 bilhões para combater a crise do COVID-19, enquanto os EUA indicaram, por meio do FED um estímulo de U$ 2,3 trilhões.

Medidas Promovidas Pelo BACEN

O Banco Central está atuando em duas frentes: a primeira delas é o aumento da liquidez no mercado, enquanto a outra é a liberação de capital para os bancos.

Aumento de Liquidez no Mercado (R$ 1,2 TRI)

O aumento da liquidez no mercado que permite aos bancos tomar dinheiro emprestado por juros menores. Esse dinheiro, por sua vez, pode ser revertido em mais mais empréstimos para as pessoas físicas e privadas no mercado.

Entre as principais medidas a serem adotadas pelo BACEN para o aumento da liquidez, estão:

  • Empréstimos para bancos com lastro em papéis – R$ 650 bilhões
  • Empréstimos com garantia de debêntures e compulsórios – R$ 200 bilhões
  • Novo Depósito a Prazo com Garantias Especiais (NDPGE) – R$ 91 bilhões
  • Redução dos depósitos compulsórios dos bancos para 17% – R$ 70 bilhões

Com essas ações, o governo espera fazer com que os bancos repassem os valores ao mercado, permitindo que a economia continue se movimentando através da realização de negócios.

Liberação de Capital dos Bancos (R$ 1,2 TRI)

Na outra frente, o Banco Central autorizou a de liberação de capital pelos bancos através das seguintes providências:

  • Redução do Adicional de Conservação de Capital Principal (ACCP) – R$ 637 bilhões
  • Overhedge de investimentos em participações no exterior – R$ 520 bilhões

Aqui, a principal intenção é permitir aos bancos que emprestem mais dinheiro com o mesmo patrimônio através da diminuição do decréscimo de algumas garantias.

De todo modo, um fator ainda preocupa: a falta de transparência do Banco Central. Até a metade de abril de 2020, ainda não foi divulgado nenhum dos balanços mensais.

BACEN Ainda Não Divulgou Seus Balanços em 2020

Em meio a especulações acerca das reservas do Banco Central e do medo de um novo confisco diante da deterioração econômica, o BACEN não soltou nenhum dos balanços mensais no ano de 2020.

Até a metade de abril, o último registro datava de dezembro de 2019.

A falha foi notada pelo renomado economista Fernando Ulrich:

“Estamos prestes a testemunhar a maior injeção de liquidez pelo Banco Central do Brasil na era do Plano Real e temos zero informações sobre as contas do balanço da autoridade monetária. Precisamos de transparência para verificarmos os volumes e o destino dos recursos. É o mínimo.” @fernandoulrich

O cenário econômico de recessão torna a situação ainda mais complicada.

Há medo na população; este medo pode se transformar facilmente em caos generalizado na hipótese de os brasileiros começarem a questionar a autoridade e a solidez do BACEN.

Não há justificativa plausível para a não divulgação dos relatórios, cuja prática atenta contra a Lei de Transparência da Informação (Lei 12.527/2011).

Para manter-se informado, tendo a sua disposição conteúdo constante e de qualidade, não deixe de acompanhar nosso site. Aproveite e faça parte da nossa página de criptomoedas no Twitter.