Bitcoin pode ser afetado por reajuste da Selic? Especialistas avaliam

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EM RESUMO
  • Banco Central definiu nova taxa Selic mais alta nesta quarta-feira (17).

  • Reajuste pode valorizar real perante o dólar, afetando ativos como o Bitcoin.

  • Criptomoeda, no entanto, estaria protegida na visão de especialistas da indústria.

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Copom aumenta a taxa de juros para combater inflação e crise cambial, afetando ativos dolarizados como o Bitcoin.



O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, na tarde desta quarta-feira (17), reajustar a taxa Selic em 0,75 pontos percentuais para 2,75% ao ano.

O aumento foi maior do que os 0,5 pontos esperados, mas especialistas ouvidos pelo BeInCrypto concordam que a Selic não deverá refletir, necessariamente, em um preço menor do Bitcoin no Brasil.



O último relatório Focus do BC, divulgado na segunda-feira (15), já mostrava expectativa de crescimento dos juros para o patamar de 2,5% ainda neste mês de março. Além disso, esse era o consenso entre agentes econômicos segundo mostrado por levantamento da XP. Desse modo, tudo levava a crer que o Copom poderia aplicar aumento de 0,5 ponto percentual, elevando a Selic para 2,5% ao ano.

A mudança vem antes do previsto. Entre os motivos estaria a inflação e a crise no câmbio, com dólar a mais de R$ 5,30 desde meados de janeiro.

Um dos picos aconteceu no dia 9 de março, quando a moeda americana fechou o pregão a R$ 5,79, logo após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que anulou as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O avanço da Selic, portanto, visa dar fôlego ao real e impactar diretamente no câmbio. Como consequência, ativos dolarizados poderiam cair de preço, como é o caso do Bitcoin, em movimento inverso ao da semana passada. No entanto, especialistas consultados pelo BeInCrypto não acreditam que isso irá acontecer.

Vinicius Frias, CEO da fintech Alter, diz que não vê “nenhum impacto no mercado de cripto nacional, realmente próximo de zero”.

O mercado cripto é totalmente global e é influenciado puramente por fatores externos, o Brasil não tem força pra puxar algum impacto sozinho.

Efeito da Selic sobre dólar pode ser limitado

André Hamada, cofundador e COO do marketplace de criptomoedas BitPreço, sequer considera que o real deverá reagir perante o dólar. A especulada adição à Selic de 0,5 pp seria pequena demais.

Mesmo confirmando o aumento de 50 pontos na taxa Selic, não vejo uma interferência significativa a curto prazo para desvalorização do dólar e, como consequência, diminuição do preço do Bitcoin em reais.

Já Bruno Milanello, Tesoureiro da corretora Mercado Bitcoin, admite que o reajuste da Selic no preço do Bitcoin. Segundo ele, “a paridade da moeda local frente ao dólar influencia a cotação das criptomoedas”.

No entanto, o especialista afirma que a mudança no câmbio ainda depende de mais elementos do que apenas a Selic. Questões que vão da balança comercial às justificativas utilizadas pelo Copom para aplicar o reajuste entrariam na conta de uma possível desvalorização do dólar.

Se isso acontecer, mesmo que o preço das criptomoedas não se altere em dólar, em reais, os preços [das criptomoedas] podem cair.

Valorização do Bitcoin em dólares deve se sobrepor

Ricardo Dantas, CO-CEO da exchange brasileira Foxbit também enxerga que a Selic influencia nos mercados e pode impactar todos os investimentos. No entanto, ele é mais otimista e afirma que a valorização do Bitcoin em dólares deve suplantar qualquer possível recuo do ativo no preço em reais.

Para o mercado de criptomoedas estamos em um momento de volatilidade tão alta que não seria a Selic que afastaria o investidor do cenário.

Na visão do executivo, portanto, qualquer eventual recuo dólar deverá ficar pequeno assim que o Bitcoin der prosseguimento ao rali e alcançar três dígitos.

A expectativa de alta é ainda muito grande para esse ano podendo chegar de U$100 mil até U$300 mil, com isso os investidores de criptomoedas não sentem tanto esse impacto por conta da Selic.

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Sou jornalista e especialista, pela USP-SP, em Comunicação Digital. Já trabalhei em rádio e impresso, mas boa parte da minha experiência vem do online. Desde 2013, colaboro regularmente com o Grupo Globo na área de tecnologia, onde já cobri assuntos diversos da área, de lançamentos de produtos aos principais ataques hackers dos últimos anos. Também já prestei consultoria em projetos do Banco Mundial e da ONU, entre outras instituições com foco em pesquisa científica. Entrei no mundo das criptomoedas principalmente na cobertura de ataques cibernéticos e golpes no Brasil. Atualmente, faço mestrado em Comunicação Científica na Universidade de Granada, na Espanha. Escrevo para o BeInCrypto desde abril de 2020.

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