Brasileiro operador de moeda suspeita Bitcoin Vault divulga mineradora no Paraguai

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EM RESUMO
  • Bitcoin Vault, criptomoeda suspeita de fraude, tem nova versão Bitcoin Vault Cash.

  • Apontado como líder do Bitcoin Vault divulga supostas fazendas de mineração da nova moeda no Paraguai.

  • Criptomoeda é ligada a comercialização de mineração via marketing multinível.

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The Trust Project é um consórcio internacional de veículos de notícias que criam padrões de transparência.

O homem apontado como o principal nome por trás da Bitcoin Vault no Brasil começou a divulgar um novo projeto nas redes sociais.



Luiz Sérgio Farina Junior, autointitulado diretor da Bitcoin Vault no Brasil, aparece em vídeo mostrando as supostas instalações para mineração de uma nova criptomoeda, chamada Bitcoin Vault Cash (BTVC).

Farina usa a camisa da Universal Mining Company, homônima de uma grande empresa de mineração de ouro e outros metais preciosos. No entanto, a suposta companhia de criptomoedas e o fundador, um indiano chamado Millak Naydu, não têm qualquer paradeiro na Internet.



Farina não explica se a empresa tem ligação com a Mining City, criadora do Bitcoin Vault. A empresa chegou a receber alertas dos órgãos reguladores de valores mobiliários do Canadá e das Filipinas, cujas autoridades mencionaram indícios de esquema Ponzi, ou seja, pirâmide financeira.

A reportagem do BeInCrypto entrou em contato com Farina, mas não obteve retorno até a publicação da matéria.

Mineração do novo Bitcoin Vault?

Luiz Farina, “diretor de expansão da Bitcoin Vault Cash em tempo integral”, segundo seu perfil no LinkedIn, aparece em vídeos mostrando o que seriam supostas obras para a instalação de uma fazenda de mineração da criptomoeda.

Para vocês terem uma ideia do investimento do Naydu na América Latina, foram comprados dois lotes para 48 contêineres para minerar nossa própria moeda.

O projeto ainda não tem cadastro no Github e outros repositórios de códigos. O nome, porém, indica ligação com o Bitcoin Vault, criptomoeda que, segundo especialistas ouvidos pelo BeInCrypto, tem claros sinais de fraude.

Do lado técnico, sua alta centralização e bloqueio para mineração por terceiros facilitaria o que se chama de ataque de 51%, em que uma pessoa ou um grupo se apodera da maioria dos nós de uma rede e pode cancelar ou reverter transações.

Além disso, dúvidas sobre a oferta da moeda levantam a possibilidade de que boa parte dos ativos gerados fiquem nas mãos dos operadores do esquema. Dessa forma, um despejo dos ativos no mercado, no que se chama de golpe de saída (exit scam), se tornaria provável.

Criptomoeda irmã derreteu 87%

Paira a suspeita que exatamente isso teria ocorrido com a Bitcoin Vault. A criptomoeda partiu de US$ 25 em março de 2020 e chegou a atingir US$ 486 em 1º de agosto.

Nos dias seguintes, a moeda recuou para US$ 443 até que, no dia 20 daquele mês, iniciou forte desvalorização e derreteu 74,2%, para US$ 114, logo depois da publicação de uma denúncia no BeInCrypto España. Desde aí ao BTCV recuou outros 48% e é cotada a US$ 59. As perdas totais chegariam, dessa maneira, a mais de 87%.

Bitcoin Vault chegou a valer US$ 486 e foi a US$ 59

Outro ponto que chamou atenção no Bitcoin Vault foi o modelo de comercialização de mineração. A empresa se instalou no Brasil por meio de “líderes” que captavam investidores por meio de marketing multinível, com diversos planos de investimento que remetem a golpes conhecidos como a Midas Trend.

O mesmo acontece com a Bitcoin Vault Cash. Em material obtido pelo BeInCrypto, as pessoas que promovem o negócio divulgam supostos panos de investimento com aportes que vão de US$ 25 até US$ 20.000. A recompensa é paga na própria moeda BTVC.

Promotores da Bitcoin Vault Cash no Brasil vendem planos de mineração com marketing multinível assim como no Bitcoin Vault

Outro ponto que chama atenção é o envolvimento de pessoas com histórico de participação em esquemas comprovados com criptomoedas, como é o caso da Airbitclub. Duas dessas pessoas foram entrevistadas pelo BeInCrypto. Elas negam todas as acusações.

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Sou jornalista e especialista, pela USP-SP, em Comunicação Digital. Já trabalhei em rádio e impresso, mas boa parte da minha experiência vem do online. Desde 2013, colaboro regularmente com o Grupo Globo na área de tecnologia, onde já cobri assuntos diversos da área, de lançamentos de produtos aos principais ataques hackers dos últimos anos. Também já prestei consultoria em projetos do Banco Mundial e da ONU, entre outras instituições com foco em pesquisa científica. Entrei no mundo das criptomoedas principalmente na cobertura de ataques cibernéticos e golpes no Brasil. Atualmente, faço mestrado em Comunicação Científica na Universidade de Granada, na Espanha. Escrevo para o BeInCrypto desde abril de 2020.

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