Comemorando a Gênesis do Ethereum 2.0

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EM RESUMO
  • O evento mais aguardado do ano pela comunidade do Ethereum acontece hoje, 1º de dezembro

  • Será minerado o primeiro bloco do Ethereum 2.0, chamado Beacon Chain

  • O Eth2 surge para resolver o problema de escalabilidade da rede

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The Trust Project é um consórcio internacional de veículos de notícias que criam padrões de transparência.

O bloco primeiro bloco do Ethereum 2.0 chamado Beacon Chain, está programado para ser lançado hoje, 1º de dezembro de 2020. O evento, que disparou os touros de ether (ETH) em toda a internet, foi muito aguardado. Mas o que é Eth2, por que é um marco, e qual é o objetivo do Ethereum afinal?



Ethereum e sua máquina virtual

Em 2020, diversos fatores empurraram o ether para os holofotes. Mais do que qualquer outra criptomoeda, o ether impressionou o mundo com a tecnologia blockchain.

Em 30 de julho de 2015, o bloco de gênese do blockchain Ethereum como a conhecemos agora, havia sido minerado. Naquela época, a maioria dos usuários eram geeks das criptomoedas, que apenas sonhavam com o crescimento subsequente do ether.



No entanto, o Ethereum foi criado não como uma moeda, mas como uma infraestrutura para abrigar uma máquina virtual. Como seu primo Bitcoin, Ethereum é executado em blockchain, e usa tecnologia de contabilidade distribuída.

Além de enviar quantidades de tokens (ether, neste caso), o blockchain também pode executar código ou armazenar memória. Em outras palavras, é como um grande computador distribuído que qualquer pessoa pode usar.

Os contratos inteligentes é a forma como isso é mais familiar para a maioria das pessoas. Contratos inteligentes são pequenos pedaços de código executados quando certas condições são atendidas.

Isso permite transações sem confiança, que, atualmente, são mais conhecidas do público por meio das finanças descentralizadas.

Os contratos inteligentes

A tecnologia distribuída faz com que qualquer uma das partes não consiga “trapacear” o código. Portanto, a troca não precisa estabelecer confiança entre as partes para ser segura. 

Por exemplo, quando a Parte A envia tokens (por exemplo, USDT) para a Parte B, a Parte B envia automaticamente outro tipo de token em retorno (pode ser um token ERC-20 com Uniswap ou um token DeFi como o cUSDT da Compound).

Como muitos computadores validam a transação, é difícil, e talvez impossível, trapacear. Da mesma forma, não há intermediários.

Mas tudo isso tem um custo — gás. Gás é a quantidade de tokens de ether cobrados por uma transação para ser executada na máquina virtual e, como Ethereum é de longe o contrato inteligente mais popular, os custos do gás estão ficando altos.

Em alguns casos trágicos, os usuários gastaram milhares de dólares em gás para uma única transação. O Ethereum é lento, porque permite apenas cerca de 35 transações por segundo (tps).

Com o DeFi aumentando a popularidade do Ethereum, o sistema precisava de uma solução de escalabilidade. E essa solução está em desenvolvimento desde 2014.

Na época, o fundador da Ethereum, Vitalik Buterin, disse sobre a taxa de transação lenta:

“Resolveremos os problemas de escalabilidade e consenso ou morreremos tentando.”

Como vai funcionar o Eth2?

Embora o Ethereum tenha um algoritmo de mineração de proof-of-work (PoW), o Eth2 usará o consenso de proof-of-stake (PoS). Isso significa que o hardware de mineração, que se tornou virtualmente não lucrativo nos últimos anos, valida a maioria das transações.

Para aumentar o Ethereum, o Eth2 usará o PoS. Isso significa que os usuários individuais podem bloquear seus tokens Ethereum para validar os blocos em troca de recompensas.

Os desenvolvedores esperam que isso permita que muito mais poder vá para a validação e aumente os tps que o Ethereum poderá executar.

É de se esperar, com uma comunidade tão grande, que o Eth2 tenha mais fôlego. Isso ocorre por ter vários blockchains no ecossistema. Uma maneira de fazer mais transações por segundo é o uso de cadeias de fragmentos.

A rede ETH é enorme, e cada validador precisa acompanhar os demais para estar atualizado e confirmar as transações.

A fragmentação contorna isso criando “cadeias laterais”, que não precisam ter toda a histórico do Ethereum por trás. Usando essas cadeias, a máquina virtual do Ethereum (EVM) estará mais disponível para milhares de transações por segundo, ao invés de dezenas.

Diagrama da cadeia do Ethereum 2.0. Fonte: Hsiao-Wei Wang

Beacon Chain

No entanto, essas cadeias de fragmentos precisarão se comunicar, e para isso o Ethereum precisa da mãe de todas as cadeias do Eth2. Esta será a Beacon Chain, e esta é a cadeia que produzirá todas as seguintes.

Outra forma de escalar o Eth2 são os rollups. Rollups são uma solução da “camada 2” (no inglês, “layer 2”), o que significa que certas transações serão processadas em cadeias diferentes para liberar espaço.

Resumindo, os rollups pegam várias transações e “acumulam” em uma única, para permitir mais transações por segundo.

Além disso, o Ethereum permanece sendo um projeto descentralizado. Essas melhorias de escala foram feitas publicamente e pela comunidade, como exemplificado por este tweet, discutindo abertamente as mudanças no protocolo:

O farol de muitas cadeias

O bloco de gênese da Beacon Chain está definido para ser minerado em 1 de dezembro de 2020. Este será o primeiro bloco real, fora das redes de teste, a ser minerado e foi o primeiro passo para tornar a Eth2 uma realidade.

Simplificando, o Beacon Chain garantirá que todas as cadeias de fragmentos conversem entre si. Dessa maneira, funcionará como um protocolo de segurança para garantir que as outras cadeias estejam funcionando bem.

Se duas partes do código precisarem se comunicar entre si por meio de fragmentos, elas obrigatoriamente passarão pelo Beacon Chain.

Ainda assim, para que a Beacon Chain tenha seu consenso, é preciso um tempo para construir uma história. A fragmentação pode começar relativamente em breve, mas a migração completa do Ethereum para o PoS do Ethereum 2.0, pode levar anos.

Depósitos do Eth2 alcança as metas

Tal como acontece com as várias redes de testes desenvolvidas para o Eth2, os desenvolvedores querem ter certeza de que tudo estará seguro, especialmente com bilhões de dólares em jogo.

Nesse meio tempo, Buterin anunciou o contrato de depósito inteligente para Eth2 em 4 de novembro de 2020. Os holders de ETH poderiam colocar seus tokens no contrato para serem apostados no futuro.

Para obter suporte suficiente para garantir o lançamento, o contrato precisava de 524.288 ETH (US$ 304 milhões, até o momento) fossem depositados. Esse limite foi atingido em 24 de novembro de 2020 e, portanto, o Beacon Chain pôde ser lançado.

Aqueles que depositaram podem ter que esperar anos para ver um retorno positivo (que pode ser de até 20% de rendimento anual). Eles terão que bloquear seus tokens e desistir de qualquer negociação potencial de ETH nesse meio tempo. O valor mínimo de ETH, 32 tokens, é de cerca de US$ 18.000, até o momento.

Para mostrar seu apoio ao projeto, Buterin colocou 3.200 ETH, de acordo com a Trustnodes. Isso equivale a cerca de US$ 1,8 milhão em tokens.

Vitalik Buterin enviou 3200 ETH para o contrato de depósito Eth2 Fonte: Trustnodes

Por que ETH?

Embora existam desenvolvedores que se dedicam a certas iniciativas da comunidade, certos críticos não ficam de fora. Por que tudo isso deveria acontecer apenas para estender a vida útil do Ethereum, quando outras plataformas de contrato inteligente já dimensionadas existem?

Para começar, a rede do Ethereum já está na ativa por um tempo considerável. Tem uma comunidade grande, e essa comunidade já provou ser dedicada a um ideal de orientação descentralizada. Ninguém, nem mesmo Buterin, faz ou desfaz decisões.

Da mesma forma, mesmo com o uso generalizado de ETH e todas as plataformas que ele suporta, o código do Ethereum em si nunca foi desastrosamente hackeado, sugerindo riscos de segurança de longo prazo.

Ao mesmo tempo, não há nada que diga que outras plataformas agora, ou no futuro, não possam ter a mesma função.

Este ano, centenas de milhões de dólares em valor foram investidos no PolkaDot (DOT), cujos fundadores trabalharam no Ethereum. Também na Cardano (ADA), que ainda não lançou um mainnet, já promete muitas das coisas que o Eth2 também faz.

O primeiro caso de uso

Um dos primeiros grandes casos de uso de cripto tokens foi, é claro, os gatinhos. Quando o Cryptokitties foi lançado em 2017, ninguém sabia o quão grande ele se tornaria.

No entanto, este foi talvez o primeiro grande congestionamento da rede Ethereum que revelou problemas de velocidade e escalabilidade.

Em 4 de setembro de 2018, foi visto a venda de um gatinho digital chamado Dragon por 600 ETH (US$ 351.222, até o momento). Assim começou o surgimento de tokens não fungíveis.

Em seguida, vieram a AAVE, Compound Finance e yEarn.finance. Essas plataformas finanças descentralizadas eram apenas algumas das muitas que usavam contratos inteligentes para executar as funções de um banco, sem banco. Isso significava uma plataforma de empréstimo, sem confiança, com retornos de juros insanos.

Isso, por sua vez, levou ao farm de rendimentos, por meio da qual os detentores de tokens movimentam fundos e fizem empréstimos compostos para obter retornos maciços de juros. O Yield farming se estendeu para além da ETH, indo para outras cadeias, como a Binance Chain.

Com todo o seu sucesso, o DeFi engendrou taxas de gás insanos e ainda e golpes de grandes proporções. Milhões de dólares estavam sendo roubados em ataques e golpes de saída a todo momento.

O impacto da Uniswap

Enquanto isso, os criadores de mercado automáticos, liderados pela Uniswap, estavam usando contratos inteligentes para acabar com as trocas centralizadas.

Embora antes os criadores de um token tivessem que pagar taxas altas para serem listados em uma exchange, qualquer um que pudesse programar poderia vender seu token por milhões com base apenas em um hype.

Isso também levou a uma mania de mineração de liquidez, na qual os usuários eram incentivados a, temporariamente, fornecer liquidez para formadores de mercado automáticos, com enormes ganhos de curto prazo.

Frequentemente, mineradores  movimentavam fundos de plataforma em plataforma em busca de melhores ganhos, congestionando a rede Ethereum.

Após o DeFi e a Uniswap, os NFTs (tokens não fungíveis) se tornaram a próxima tendência de curta duração.

Devido à natureza da rede do Ethereum, a verdadeira propriedade de itens digitais, como por exemplo arte, pode ser garantida, mesmo quando tal item seja facilmente reproduzível.

O sucesso dos NFTs levou à especulação da “tokenização de tudo”. Sob esse modelo, todos os ativos — sejam eles arte ou propriedade — poderiam ser vendidos e garantidos publicamente como tokens, com prova confiável de propriedade.

Além de ações simbólicas de empresas, esses tokens também podem ser como escrituras imobiliárias.

Até a poeira baixar

Depois de todas essas novas tendências, o ether ficou muito caro. Talvez o auge tenha ocorrido quando a Uniswap lançou 400 tokens UNI para cada usuário, no valor de cerca de US$ 1.400 na época. A pressa para despejar os tokens levou as taxas às alturas, com usuários pagando centenas de dólares por transação.

Taxas do gás aumentaram especialmente em setembro/outubro de 2020. Fonte: yCharts

Desde então, no entanto, as taxas de gás se acalmaram. As transações ETH não são tão rápidas ou tão baratas quanto algumas outras blockchains, mas ainda assim valem a pena.

Talvez o mais importante, os usuários estão familiarizados com o ETH, toda a infraestrutura criada usando o Ethereum nos últimos meses ainda existe, se não mais calma do que vista anteriormente. 

O ano do Ethereum

O Bitcoin é muito útil, seja ele considerado dinheiro, ouro, garantia ou reserva de valor. Mas é o Ethereum e seus contratos inteligentes que realmente ampliaram a imaginação dos usuários de criptomoedas.

Embora os concorrentes esperem à margem, o Ethereum ainda parece ser a máquina virtual do futuro.

Se a velocidade e escala do Ethereum 2.0 realmente corresponderem às intenções, não vai sofrer de novamente as limitações do Eth1.

Talvez mais importante, a flexibilidade e o tamanho da equipe de desenvolvedores, sugere que o Ethereum será capaz de se adaptar a quaisquer desafios que sua rede blockchain possa enfrentar no futuro.

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Saori Honorato é jornalista e para o BeInCrypto escreve sobre os principais acontecimentos do universo das criptomoedas.

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