DeFi para instituições: crescimento, adoção, desafios, riscos e perspectivas

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Este artigo traça um panorama do crescimento DeFi ao longo do tempo, em que estágio está a adoção institucional em protocolos DeFi, assim como obstáculos a serem superados e riscos precisam ser considerados pelas empresas.

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Crescimento de DeFi ao longo do tempo

O crescimento de DeFi pode ser expresso de várias maneiras, sendo a mais intuitiva a medição de usuários ativos. Segundo a Dune Analytics, o crescimento de usuário desde os primeiros dias dos experimentos DeFi foi explosivo, ultrapassando 2,1 milhões de endereços exclusivos que interagiram com o Ethereum DeFi de alguma forma desde o início de 2018.

Fonte: Dune Analytics

Após o “DeFi Summer”, as bases de usuários dos protocolos e o número de “token holders” aumentaram. Em média, cerca de 7% dos endereços exclusivos são usuários e detentores de tokens. Veja acima na Figura 1.

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A popularidade crescente do DeFi levou a dezenas ou mesmo centenas de milhares de endereços exclusivos interagindo com os maiores protocolos.

Os novos usuários que chegaram foram, na maioria das vezes, distribuídos uniformemente, exceto por alguns eventos que aumentaram o interesse em projetos específicos. Veja abaixo o número de usuários DeFi ativos por projeto.

Fonte: Dune Analytics

Quanto aos endereços exclusivos de DeFi ao longo do tempo, até meados de julho o total foi de 3,1 milhões.

Fonte: Glassnode Insights

Agora, as instituições e corporações também começam a olhar para DeFi.

Adoção institucional

Em recente pesquisa da Fidelity Digital Assets, 71% dos investidores institucionais afirmaram que irão investir em ativos digitais no futuro, e mais da metade já o fez.

Sob uma perspectiva institucional, como parte da descoberta dos ativos digitais, os investidores institucionais geralmente iniciam com Bitcoin ou Ethereum, e depois se expandem para dúvidas como:

  • O que é DeFi?
  • Onde acho uma cartilha DeFi?
  • Quais os projetos DeFi em andamento?
  • Qual é o tamanho geral e a escala do mercado DeFi?
  • Como projetos DeFi funcionam?
  • Qual é o nível de transformação que DeFi promove?
  • Tais projetos realmente possuem potencial para desbancar as atividades tradicionais de intermediários financeiros?

A volatilidade dos preços continua sendo a principal barreira para a adoção, aponta a mesma pesquisa, seguida pela falta de fundamentos para avaliar o valor e preocupações com manipulação de mercado. Os investidores citaram, contudo, menos preocupação com a complexidade e infraestrutura de mercado do que anteriormente.

Portanto, embora ainda estejamos nos estágios iniciais de DeFi para instituições, definitivamente já há um interesse real e concreto.

Os investidores institucionais já entendem o que é DeFi e que este mercado veio para ficar. Mas, ainda estão buscando descobrir o fluxo de trabalho, ou seja, como realmente operar com os protocolos das finanças descentralizadas.

Desafios

Os obstáculos institucionais começam na diferença de “timing” entre o setor de finanças e o de tecnologia. Como é notório, o mundo das finanças não companha a rapidez do setor de tecnologia, e este primeiro desafio nos leva ao segundo.

Sempre é bom lembrar que instituições, principalmente na área financeira, têm requisitos rigorosos de identificação de clientes (KYC) e e regulamentações contra lavagem de dinheiro (AML), e DeFi obviamente é menos compliance.

Nesse quadro, a regulação e os aspectos legais e compliance podem ser um obstáculo para instituições maiores realmente se envolverem com DeFi. Lidar com Bitcoin como um investimento passivo não traz tantos obstáculos legais. Mas quando instituições realmente desejam interagir com protocolos DeFi e usá-los ativamente em alguma jurisdição, a questão legal pode ser um problema.

Na Europa, Ásia e Estados Unidos, as instituições precisam cumprir as regras de combate à lavagem de dinheiro, que muitas vezes trazem consigo a ameaça de prisão ao negociar com contrapartes ilícitas. Empresas maiores e mais regulamentadas também estão profundamente cientes de como evitar negociar com contrapartes proibidas ou suspeitas. Isso significa uma característica fulcral do DeFi – a descentralização e o pseudonimato pode se tornar um obstáculo. Os pools de liquidez em todos os protocolos DeFi, incluindo pools de empréstimos e crédito e corretoras descentralizadas (DEXs), podem ter contrapartes potencialmente arriscadas.

Bem por isso, questões legais impactam diretamente o apetite de risco institucional. Existem diferentes tipos de apetite pelo risco e, nessa linha, algumas instituições estão olhando com cautela para um cenário onde os protocolos que já são suficientemente descentralizados – como, por exemplo, Compound, Maker e Curve.

Como tais protocolos descentralizados são praticamente regidos pelos detentores de tokens, uma parte dos investidores institucionais não têm o mesmo apetite de risco, sendo preciso desenvolver algum tipo de compromisso ou produto adicional para resolver essas questões regulatórias e de compliance para estimular essa parcela institucional a embarcar nestes protocolos.

Por fim, o terceiro obstáculo diz respeito ao aspecto cultural, dado que ainda as instituições não têm a compreensão suficiente dos protocolos e aplicativos DeFi, impedindo uma maior adoção.

Riscos institucionais

Quando falamos em risco, na verdade estamos avaliando como mostrá-lo para as instituições que estão buscando experimentar o mercado DeFi.

O primeiro risco institucional refere-se a como governos e reguladores estão enxergando os contratos inteligentes.

Nas finanças centralizadas, chamadas de CeFi, governos e reguladores distribuem regras de compliance a cada contraparte. Mas o que acontece quando você está transacionando com contratos inteligentes em DeFi?

Imagine que não possamos definir o que é um contrato inteligente. Neste caso, o investidor institucional fatalmente precisará pensar em um seguro abrangendo possíveis conceitos de contrato inteligente. E ainda que seu conceito não seja a principal questão, será preciso lidar com riscos ligados a ataques cibernéticos, crime eletrônico.

Neste sentido, já existem apólices de seguro cujo objeto abrange, por exemplo, a hipótese de um ataque cibernético em protocolo ou dApp DeFi quebrar a empresa que colocou todo o seu capital naquele protocolo.

Daí, é aconselhável um “seguro de contrato inteligente”.  

Pois bem, além do risco de contrato inteligente, do risco financeiro, há também um risco operacional, porque geralmente essas instituições não são apenas uma corporação de um homem só. Isto é, muitas pessoas na empresa que tomam decisões sobre quais ativos desejam investir, com quais contratos inteligentes e dApps DeFi desejam interagir; e orquestrar isso dentro de uma organização tem seu próprio risco operacional.

Outro risco a ser enfrentado pelas instituições diz respeito ao risco do protocolo, que deve englobar desde o início de sua codificação ferramentas, recursos e funcionalidades para mitigar e gerenciar eventuais danos, propiciando a devida diligência como, por exemplo, quantidade suficiente de testes, verificação formal, dentre outros.

Perspectivas

O DeFi foi desenvolvido visando o usuário de varejo, mas as instituições já compreendem as possibilidades das oportunidades deste mercado.

No primeiro semestre de 2021, começamos a detectar o movimento das instituições na busca de como se envolverem de forma viável com o ecossistema DeFi.

Este movimento inicial, levou a um aumento de produtos e serviços DeFi voltados para pesquisa, compliance, pré-negociação, melhor execução, relatórios e custódia, para satisfazer os requisitos institucionais de fundos cripto de pequena e média capitalização e de entidades maiores e mais regulamentadas.

Não à toa, inúmeros webinars, pesquisas e matérias voltadas às instituições e corporações foram veiculados tanto na indústria DeFi quanto na mídia tradicional, com o intuito de educar e capacitar as instituições com ferramentas, infraestrutura e serviços.

A corrida institucional já começou. Será interessante assistir como a integração CeFi e DeFi se dará, e como os obstáculos e riscos atualmente existentes serão superados com o tempo.

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Tatiana Revoredo é membro fundadora da Oxford Blockchain Foundation e estrategista em blockchain pela Saïd Business School da Universidade de Oxford. Ela é também especialista em blockchain aplicada a negócios pelo MIT e mitigação de risco cibernético pela Harvard University, além de CSO da theglobalstg.com. Tatiana foi convidada pelo Parlamento Europeu para participar da Conferência Internacional de Blockchain, e pelo Congresso Brasileiro para a Audiência Pública do PL 2303/2015. É também autora de três livros: "Blockchain: Tudo O Que Você Precisa Saber", "Cryptocurrencies in the International Scenario: What Is the Position of Central Banks, Governments and Authorities About Cryptocurrencies?" e "Bitcoin, CBDC, Stablecoins, and DeFi".

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