Ex-presidente Lula ‘revive’ ideia de moeda internacional única para substituir dólar

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EM RESUMO
  • Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta quarta-feira (10) pela primeira vez desde 2018.

  • Lula mencionou ideia de criação de uma moeda única para países emergentes.

  • Objetivo seria se livrar do dólar e garantir cooperação entre membros do BRICS.

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Ideia de moeda única que surgiu originalmente em 2009 e seria usada por países emergentes para realizar comércio entre si sem depender do dólar.



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a mencionar, na tarde desta quarta-feira (10), a possível criação de uma moeda única para países emergentes. Lula discursou no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, pela primeira vez desde sua prisão em abril de 2018.

O ex-presidente, agora de volta à cena após a anulação das condenações que agitou os mercados na segunda-feira (9), mencionou que a ideia de moeda única tem a ver com a independência do dólar. A nova moeda estaria inserida em um contexto de cooperação internacional entre nações em desenvolvimento.



Eu não acredito que um país possa encontrar soluções para os seus problemas apenas dentro de suas fronteiras. O Brasil não pode querer crescer cercado de países pobres e miseráveis por todos os lados. O Brasil tem que crescer compartilhando seu crescimento com seus vizinhos na América do Sul.

Divulgação: Instituto Lula

Lula, então, volta a mencionar o tema da moeda única aventada primeiro pelo governo Chinês em 2009. O petista confessa que era favorável à ideia como forma de abandonar o dólar como moeda de troca no comércio exterior.

Nós tínhamos uma boa relação com a Rússia e com a China. Se você quer saber, eu tinha a intenção de construir uma moeda forte para que a gente não fosse obrigado a ficar dependente do dólar. O Obama sabia disso. Por que um país do tamanho do Brasil tem que ficar dependente do dólar? A gente tem que ter uma moeda comercial para se livrar [do dólar].

O ex-presidente, contudo, nega que uma moeda única afetaria relações com os Estados Unidos e demais países do norte global.

Não é possível a gente governar se não tiver uma relação muito forte com todo mundo. Com a Europa, com os Estados Unidos. Eu não sou antiamericano.

Moeda única mencionada por Lula nunca saiu do papel

A ideia de moeda única partiu da China em 2009 e chegou a ser discutida na reunião dos BRICS de 2010. Na época, o objetivo era adotar uma solução em substituição ao dólar para o comércio entre os países que compõem o bloco: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Apesar de o projeto não ter evoluído, alguns países seguiram interessados. Para a Rússia, por exemplo, uma moeda alternativa seria uma maneira de driblar sanções impostas pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Nos últimos anos, o país já vem reduzindo bruscamente o uso de dólar em favor do rublo.

Na falta de uma moeda única, o grupo decidiu, na reunião de 2019, criar um sistema de pagamentos integrado para permitir trocas em moedas nacionais.

Além disso, os países começaram a investir individualmente em projetos de moedas digitais de bancos centrais (CBDC). Nesse cenário, China e Brasil largam na frente dada a evolução do yuan digital e a expectativa em torno do real digital.

No entanto, entraves não faltam para impedir a adoção da tecnologia, desde uma imposição do G20 ao abandono do BRICS pelo Brasil. Em 2021, o país chegou até mesmo a deixar de pagar o Novo Banco dos BRICS, instituição que ajudou a fundar, é acionário e para o qual indicou o atual presidente.

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Sou jornalista e especialista, pela USP-SP, em Comunicação Digital. Já trabalhei em rádio e impresso, mas boa parte da minha experiência vem do online. Desde 2013, colaboro regularmente com o Grupo Globo na área de tecnologia, onde já cobri assuntos diversos da área, de lançamentos de produtos aos principais ataques hackers dos últimos anos. Também já prestei consultoria em projetos do Banco Mundial e da ONU, entre outras instituições com foco em pesquisa científica. Entrei no mundo das criptomoedas principalmente na cobertura de ataques cibernéticos e golpes no Brasil. Atualmente, faço mestrado em Comunicação Científica na Universidade de Granada, na Espanha. Escrevo para o BeInCrypto desde abril de 2020.

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