Exchange brasileira bloqueia bitcoins desde janeiro e clientes se revoltam: “quem apanha não esquece”

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EM RESUMO
  • Clientes da corretora brasileira de criptomoedas Bitcambio reclamam de ter saldos bloqueados desde janeiro.

  • Empresa mudou de sistemas, mas não migrou criptomoedas dos usuários.

  • Alguns consumidores já levantam possibilidade de fraude.

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Clientes da exchange brasileira Bitcambio reclamam nas redes sociais que a empresa vem bloqueando o acesso aos seus saldos de criptomoedas.



O problema se estenderia há mais de dois meses, entre promessas não cumpridas e falta de resposta do suporte. A reportagem tentou contato com representantes da corretora, mas não obteve resposta até o fechamento.

“Nenhum pouco recomendaria, quem apanha não esquece”, diz Jacson Hoffmeister, um dos clientes que foram impedidos pela corretora Bitcambio de acessar seu saldo em criptomoedas há pelo menos um mês.



Residente de Rolante, município do Rio Grande do Sul com pouco mais de 21 mil habitantes, Jacson diz ter ficado sem seus bitcoins por um mês e 10 dias. Nesse meio tempo, recebeu da exchange apenas respostas automáticas sem a devida explicação do ocorrido.

Mudança de plataforma

O gaúcho não é o único nessa situação. No site Reclame Aqui, 30 queixas de clientes permanecem sem resposta da empresa com sede em Niterói (RJ), a maioria registrada ao longo de cerca de dois meses.

Os usuários reclamam de ficar sem acesso às suas criptomoedas desde que a Bitcambio mudou de plataforma. No dia 15 de janeiro, a empresa anunciou realizaria uma migração de sistemas, a segunda desde novembro de 2020, quando a exchange encerrou parceria com a Blinktrade.

A exchange prometeu reestabelecer o funcionamento às 0h do dia 18. Os saldos de 200 mil clientes, no entanto, não foram migrados de imediato. Usuários consultados pelo BeInCrypto alegam que sequer foram avisados sobre a mudança.

“Eles poderiam ter mandado mensagem para os seus clientes falando que iriam mudar de plataforma e que gostariam que todo mundo retirasse os BTCs da plataforma”, conta um consumidor que prefere não ter o nome revelado. Ele diz ter mais de R$ 3 mil presos na corretora por 45 dias.

“Eles não avisaram ninguém por e-mail ou por telefone, e simplesmente trancaram os BTCs de todo mundo.

Recadastro e sem respostas do suporte

Ao anunciar a migração, a Bitcambio instruiu usuários a realizar um recadastro na nova plataforma.

“Para a liberação de saldo em reais e em bitcoins, será necessário que você esteja cadastrado e validado na nova plataforma no nível INTERMEDIATE e nos envie um vídeo confirmando a veracidade da sua identidade”, dizia o comunicado.

O sentimento geral dos usuários, porém, é de confusão total. A falta de resposta do suporte é uma das queixas recorrentes.

“Várias vezes já mandei mensagem por e-mail. Eles só falam que para aguardar a migração”, conta um cliente que reclama de perder oportunidades oferecidas pela volatilidade do bitcoin no último mês e meio, período em que está sem acesso aos seus ativos.

Três dias atrás mandei mensagem, mas eles não estão mais respondendo aos meus e-mails. Já mandei mensagem no suporte do Facebook, mas eles não resolvem nada. Estou desde o começo de fevereiro esperando.

Históricos de conversas entre clientes e a corretora confirmam as datas de início da migração há, no mínimo, um mês. Nas imagens, a corretora afirma, no entanto, que “tem uma fila e os que vem chegando por último devem aguardar a sua vez”.

Suporte da Bitcambio confirma atraso na liberação de bitcoins de clientes

Michele é outra consumidora com problemas na mesma corretora. Cliente da Bitcambio desde 2018, ela se diz decepcionada com a postura da empresa desde o final de fevereiro. Ela tem mais de R$ 30 mil em bitcoins na plataforma e também reclama que a empresa não responde às cobranças.

Hoje, após três anos, ela admite já não recomendar a Bitcambio para ninguém: “Essa lentidão na migração e falta de suporte, sem datas pra nada, acabam com a confiança na empresa”.

Clientes acusam exchange de fraude

A demora para a liberação já é motivo para vários usuários levantarem suspeitas de fraude. No Reclame Aqui, um usuário de Santo André (SP) diz que, apesar de ter realizado todo o processo exigido para a migração, segue sem ver seus bitcoins na carteira:

“Onde está o saldo??? Estou esperando mais de um mês já. Quem sabe né, somos obrigados a acionar autoridade competente, que decepção. Achei que era uma plataforma conceituada, me enganei”, se queixa.

Já um consumidor de Montes Claros (MG) acusa a empresa de aplicar um golpe:

Fui roubado! Já passou 60 e eles não migrarão [sic] o meu dinheiro. A empresa se que [sic] da uma nota informando como esta o andamento dessa migração. Estou me sentido um idiota por confiar nessa empresa de bosta que e a Bitcambio. já estou correndo atrás do meu direito. eles vão ter que devolver por bem ou judicialmente.

Jacson, um dos clientes que conversou com a reportagem, revelou que só uma ameaça de ingresso com ação judicial teria motivado a exchange a, finalmente, devolver seu dinheiro após mais de um mês de espera.

Recebi meus BTC segunda-feira [22]. Depois de inúmeros e-mails, não obtive êxito. Depois de falar que iria contratar um advogado para causas virtuais, eles mudaram a forma de me tratar.

O aparente descaso da corretora, no entanto, deixa outros usuários sem esperança.

“Já estou perdendo a esperança de ver meus bitcoins de volta. Por causa de uma exchange como essa que as pessoas têm medo de investir em bitcoin. Já estou achando que caí num golpe” conta um cliente que prefere manter o nome em sigilo.

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Sou jornalista e especialista, pela USP-SP, em Comunicação Digital. Já trabalhei em rádio e impresso, mas boa parte da minha experiência vem do online. Desde 2013, colaboro regularmente com o Grupo Globo na área de tecnologia, onde já cobri assuntos diversos da área, de lançamentos de produtos aos principais ataques hackers dos últimos anos. Também já prestei consultoria em projetos do Banco Mundial e da ONU, entre outras instituições com foco em pesquisa científica. Entrei no mundo das criptomoedas principalmente na cobertura de ataques cibernéticos e golpes no Brasil. Atualmente, faço mestrado em Comunicação Científica na Universidade de Granada, na Espanha. Escrevo para o BeInCrypto desde abril de 2020.

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