Midas Trend 2.0: Empresa Ganha Tempo Para Evitar Penhora de Bens, Avalia Advogado

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Investidores da Midas Trend acusam a empresa de criar um segundo esquema de pirâmide para financiar o pagamento de dívidas da primeira. A Midas Trend 2.0, marcada para entrar no ar nesta segunda-feira (27), visa atrair novos investidores de um suposto robô de arbitragem que nunca ninguém viu funcionar. Advogado vê estratégia para ganhar tempo.



A Midas Trend atua seguindo o mesmo passo a passo de empresas hoje já enquadradas no crime de pirâmide financeira. Segundo o advogado Ricardo Kassin, do escritório Parodi Kassin Gurtensten, de Curitiba, o lançamento da nova plataforma guarda semelhanças com outros esquemas que mudam de estratégia o tempo todo. Segundo ele, tudo leva a crer que o objetivo é ganhar tempo para se livrar de bens passíveis de bloqueio judicial.

Essas mudanças de sistemática são características de pirâmide financeira. Passa a falsa sensação para os investidores que eles não estão recebendo em razão da mudança de sistemática. Só que as mudanças de sistemática são feitas para os donos da empresa ganharem tempo. Em regra, para dilapidar o patrimônio: vender carro, vender imóvel, vender os computadores da empresa, ou escondê-los. E, obviamente, tirar tudo da conta.

Para o especialista, o caso da Midas Trend se parece muito com o da Genbit, recentemente condenada e cujos donos tiveram bens bloqueados. A estratégia de ganhar tempo serve principalmente para impedir que futuras penhoras judiciais tenham êxito: sem patrimônio no nome dos sócios nem dinheiro na conta, a Justiça não pode bloquear nada para pagar as vítimas.



O Caso Midas Trend

A Midas Trend é uma empresa que surgiu com oferta tentadora para investidores. Segundo a companhia, ela teria robôs de arbitragem de criptomoedas capazes de proporcionar rendimentos garantidos. Os supostos robôs, porém, nunca foram vistos em funcionamento.

O esquema operava em rede, com líderes responsáveis por trazer novos investidores com a promessa de receberem comissão. Sob anonimato, uma antiga líder da Midas Trend disse ao BeInCrypto que levou outras 100 pessoas e operava uma rede que já chegava a 4 mil membros. Havia pelo menos outros 25 líderes no mesmo nível. Tendo investido cerca de R$ 300 mil, ela foi uma das pessoas que perderam acesso ao dinheiro a partir de outubro de 2019.

Naquele mês, a empresa alegou que o sistema de pagamentos URPay, que processava os saques dos clientes, havia ficado fora do ar. Na sequência, citando entraves na operação, o sócio Deivanir Vieira Santos prometeu criar uma solução nova. A empresa então passou a adotar tecnologia da fintech ViViPay em um aplicativo chamado Midas Pay. Os pagamentos, porém, nunca foram regularizados.

Segundo o próprio Deivanir, a Midas Trend deve R$ 60 milhões para investidores. No entanto, não está claro se o valor inclui ou não os lucros prometidos. Em dezembro de 2019, ele pediu 90 dias para resolver os problemas. O prazo venceu no dia 13 de abril. No dia seguinte, em uma live, ele alegou ter sido hackeado. Todos os seus Bitcoins teriam sido roubados.

Vítimas se Organizam

Ao BeInCrypto, a antiga líder afirma que esse dia foi “o carimbo do golpe”. Desde então, vítimas se reúnem em um grupo no Telegram para trocar informações sobre a judicialização do caso. Eles alimentam uma lista que alcança 4.200 nomes para apresentar uma denúncia conjunta ao Ministério Público. No entanto, o grupo se enfraqueceu desde que Deivanir anunciou a Midas 2.0.

O advogado Ricardo Kassin vê comportamento comum em esquemas de pirâmide.

Os investidores sempre ficam com a sensação de que vai mudar a sistemática e vão receber. No fundo eles têm a esperança. Só que, de fato, eles [os golpistas] estão ganhando tempo. Eles [da Genbit] deram vários prazos. Primeiro 90 dias. Disseram que iam pagar. Mas, até o presente momento, os clientes não têm a informação se eles têm liquidez de fato.

Nos grupos, enquanto várias vítimas acusam a Midas Trend de criar uma segunda pirâmide, há quem opte por seguir apostando na esperança de recuperar o dinheiro. Vários usuários relatam problemas em uma suposta plataforma destinada a devolver o valor investido.

Alguns deles, no entanto, falam publicamente em entrar na nova pirâmide mesmo sabendo se tratar de esquema fraudulento. Em geral, eles não acreditam que podem recuperar o dinheiro na Justiça.

Segredo é Ingressar com Ação o Mais Rápido Possível

Kassin explica que clientes em situação semelhante vêm conseguindo garantir bloqueio de bens em forma de liminar. Atualmente, até mesmo Bitcoins podem ser penhorados pela Justiça. No entanto, além da especificidade de cada caso, a agilidade em ingressar com a ação é determinante para o eventual sucesso.

Anne Santos, fisioterapeuta de 36 anos que mora em Salvador, é uma das investidoras que aposta na justiça para reaver seu investimento de R$ 17 mil.

Entrei quando um amigo meu me convidou. Foi o meu primeiro investimento, não conhecia nada. Graças a Deus tenho meu trabalho. Mas e quem não tem?. Vou entrar com a ação nos próximos dias.

Para o advogado paranaense, esse perfil é maioria entre as vítimas de golpe. “A gente notou dois extremos. Um que conhece o mercado financeiro, mas é agressivo. Só que a maioria é de pessoas enganadas que nunca tinham investido na vida”, comenta.

Midas Trend Condenada

Na última quinta-feira (23), a MT Desenvolvimento Tecnologia Ltda, empresa por trás da Midas Trend, foi condenada a devolver R$ 80 mil investidos por uma única família do Distrito Federal. A ação foi protocolada em janeiro de 2020 e os réus não chegaram a apresentar defesa. A decisão ainda é passível de recurso.

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Sou jornalista e especialista, pela USP-SP, em Comunicação Digital. Já trabalhei em rádio e impresso, mas boa parte da minha experiência vem do online. Desde 2013, colaboro regularmente com o Grupo Globo na área de tecnologia, onde já cobri assuntos diversos da área, de lançamentos de produtos aos principais ataques hackers dos últimos anos. Também já prestei consultoria em projetos do Banco Mundial e da ONU, entre outras instituições com foco em pesquisa científica. Entrei no mundo das criptomoedas principalmente na cobertura de ataques cibernéticos e golpes no Brasil. Atualmente, faço mestrado em Comunicação Científica na Universidade de Granada, na Espanha. Escrevo para o BeInCrypto desde abril de 2020.

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