Mulheres representam apenas 11% das negociações de criptomoedas no Brasil

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EM RESUMO
  • No Reino Unido, mulheres são responsáveis por 40% das negociações de criptomoedas.

  • No Brasil, a representatividade feminina cai para 11%.

  • Especialistas ouvidas pelo BeInCrypto compartilham suas opiniões sobre a paridade de gênero no mercado cripto brasileiro.

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Uma nova pesquisa da exchange Gemini mostrou que no Reino Unido, as mulheres representam 40% do número de investidores de criptomoedas. A realidade brasileira, no entanto, é bem diferente.



O relatório divulgado nesta sexta-feira (29), mostra que o número de mulheres negociando criptomoedas no Reino Unido, dobrou em um ano.

Se em 2019 as pesquisas mostravam que a participação feminina nos investimentos cripto era de 21%, os números de 2020 mostram mais igualdade no mercado, com mulheres sendo responsáveis por 41,6% das negociações no país.



Vale destacar, no entanto, que a pesquisa entrevistou 2 mil pessoas aleatórias, das quais 13.5% disseram que são, ou já foram, investidores de criptomoedas. Deste número, a estimativa é que 2 a cada 5 investidores são mulheres.

Fonte: Gemini

A realidade no Brasil

Apesar do aumento da representação feminina no mercado do Reino Unido, a realidade pode não ser a mesma no resto do mundo. 

No Brasil, as mulheres representam apenas 11,11% das negociações de criptomoedas. A média foi calculada pela reportagem de acordo com dados da Receita Federal das movimentações de criptomoedas declaradas entre janeiro e novembro de 2020.

Dados do Mercado Bitcoin, a maior exchange de criptomoedas do país, chegam a mesma estatística. Das 100 pessoas que negociam na plataforma, apenas 11 são mulheres. 

Fonte: Mercado Bitcoin

O BeInCrypto conversou com duas especialistas para entender o porquê da participação feminina no mercado de criptomoedas ser tão baixa.

A primeiro delas foi Solange Gueiros, professora e desenvolvedora blockchain, com foco em Bitcoin, Ethereum e Smart Contracts. Para ela que possui mais de 20 anos de experiência na área da computação, a participação pequena das mulheres na criptoesfera é um reflexo do já é visto no mercado financeiro como um todo. Para virar o jogo, Gueiros aponta duas mudanças que precisam acontecer:

“Acredito ser possível obter um número mais equilibrado entre homens e mulheres no mercado das criptomoedas.Para isto, vejo dois caminhos: (1) educação em finanças e tecnologia, e (2) a popularização de criptomoedas no dia-a-dia, já que é mais fácil negociar o que você já utiliza.”

Quando olhamos, por exemplo, para a porcentagem de mulheres investindo na bolsa de valores no Brasil, o número também é baixo. Conforme dados da B3, as mulheres representam 23,8% dos CPFs cadastrados na bolsa. A participação, mesmo que pequena, ainda superar o número de investidoras de criptomoedas.

Esses dados estão no estudo produzido pelas especialistas Charys Oliveira e Daniela Meyer, apresentado na BITCONF 2020. As duas são responsáveis por fundar o blog @compranavolta, que produz conteúdo sobre finanças e bitcoin para o público feminino.

Paridade de gênero no mercado cripto

Ao BeInCrypto, Charys Oliveira explica que a falta de mulheres no meio cripto e histórica porque as criptomoedas começaram a circular em um espaço predominante masculino.

“Isso foi marginalizando a participação feminina nesses ambientes que, muitas vezes, são tóxicos para a mulher. Somente com o amadurecimento das exchanges, da mídia especializada e dos principais atores do mercado que almejavam uma posição de referência e o aumento dos lucros, é que começou a ensaiar uma aproximação com o público feminino.”

De acordo com Oliveira, as empresas do mercado cripto ainda deixam muito a desejar no que diz respeito à paridade de gênero. Apesar estar vendo o espaço cripto se tornar ao poucos mais plural, Charys acha que ainda pode demorar algumas décadas para que as mulheres alcancem os homens neste mercado

“Um detalhe que não podemos esquecer é que as mulheres têm uma renda muito menor que os homens e muitas enfrentam jornadas duplas, triplas, salvo exceções. Somando isso a uma lista de fatores, fica difícil sobrar dinheiro para investir, arriscar.”

De acordo com dados do IBGE, as mulheres ganham 28,7% menos que os homens no Brasil.

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Saori Honorato é jornalista e para o BeInCrypto escreve sobre os principais acontecimentos do universo das criptomoedas.

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