Nova York bane Tether (USDT) e Bitfinex e aplica multa de US$ 18,5 milhões

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EM RESUMO
  • Exchange Bitfinex e stablecoin USDT estão oficialmente proibidos em Nova York.

  • Autoridades afirmam que USDT não tinham lastro real.

  • Empresas devem pagar multa de US$ 18,5 milhões, valor considerado baixo.

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Autoridades do estado de Nova York, nos Estados Unidos, baniram a exchange Bitfinex e o Tether USD (USDT), maior stablecoin do mundo.



Em comunicado divulgado nesta terça-feira (23), a Procuradoria de Nova York diz que as empresas “ocultaram US$ 850 milhões em perdas em todo o mundo” e que o lastro do USDT “era uma mentira”. O caso, no entanto, terminou com uma multa considerada baixa, de US$ 18,5 milhões.

Pelo acordo, as empresas ficam proibidas de atuar em Nova York. Apesar disso, elas devem providenciar relatórios periódicos que mostrem a existência de lastro para a criptomoeda. Por outro lado, os envolvidos não admitiram culpa, algo visto como uma vitória pela comunidade cripto.



O Procurador Geral de Nova York declarou que “Bitfinex e Tether encobriram de forma imprudente e ilegal enormes perdas financeiras para manter seu esquema funcionando e proteger seus resultados financeiros”.

Além disso, segundo a autoridade, “as afirmações da Tether de que sua moeda virtual era totalmente respaldada por dólares americanos em todos os momentos era uma mentira”.

Segundo as investigações nos EUA, as duas empresas esconderam o risco ao qual submeteu investidores. Além disso, elas seriam “operadas por indivíduos e entidades não licenciados e não regulamentados que negociavam nos lugares mais sombrios do sistema financeiro”.

A decisão obriga a Bitfinex a suspender qualquer atividade em Nova York e proíbe a emissão da stablecoin USDT para moradores da região.

Essas ações judiciais enviam uma mensagem clara de que enfrentaremos a ganância corporativa, seja ela proveniente de um banco tradicional, uma plataforma de negociação de moeda virtual ou qualquer outro tipo de instituição financeira.

Tether fraudou duas auditorias, dizem autoridades dos EUA

Segundo as autoridades dos EUA, a Tether usou fundos que deveriam servir de lastro para o USDT para cobrir rombos nas da Bitfinex. A exchange, vale lembrar, sofreu ataque hacker em agosto de 2016 que resultou no roubo de 120 mil BTC.

Dessa maneira, a Tether não teria mantido em caixa, por muitos anos, os dólares necessários para garantir cada USDT emitido. Além disso, a Procuradoria aponta que as empresas teriam fraudado pelo menos duas auditorias de fundos.

Uma delas teria ocorrido em 2017. Na época, a Tether realizou uma verificação de reservas de caixa com fundos falsos. Isso porque, na verdade, os valores teriam sido adicionados à conta bancária no mesmo dia da divulgação.

Outra ocasião teria ocorrido na auditoria de um fundo da Tether nas Bahamas em 1º de novembro de 2018. Dessa vez, as contas de fato mostraram que cada USDT tinha US$ 1 de lastro. A fraude na verificação, no entanto, viria na sequência.

No dia seguinte, em 2 de novembro de 2018, a Tether começou a transferir fundos para fora de sua conta, movendo centenas de milhões de dólares das contas bancárias da Tether para as contas do Bitfinex.

Para as autoridades americanas, desde então, o USDT não teria mais tido o lastro necessário para garantir a emissão de USDT.

Bitfinex continua negando fraude

Segundo a Bitfinex, no entanto, as investigações não teriam encontrado provas das acusações.

Bitfinex e Tether chegaram a um acordo com a Procuradoria de Nova York. Após 2,5 anos e 2,5 milhões de páginas de informações compartilhadas, não admitimos qualquer irregularidade e pagaremos US$ 18,5 milhões para resolver este assunto.

Nenhuma evidência de que Tether foi emitido sem lastro ou para impactar os preços de criptomoedas. Este acordo mostra nosso compromisso com o futuro da indústria e com a transparência com divulgações trimestrais de reservas do Tether daqui para a frente.

Acordo pode ter evitado queda mais brusca do Bitcoin

A notícia do acordo entre as autoridades de Nova York, Bitfinex e Tether veio à tona em meio a um forte recuo de preço do Bitcoin. Em queda desde a última sexta-feira (19), quando foi de US$ 58.400 para US$ 53.000, a criptomoeda despencou quase US$ 10 mil em questão de horas desde a noite de segunda-feira (22).

Um dos motivos teria sido a boa receptividade do fim das investigações da Tether pela Procuradoria de Nova York. Apesar do banimento no estado, a multa baixa de US$ 18,5 milhões e não admissão de culpa pelos envolvidos são vistas com bons olhos por especialistas.

O mercado parece ter reagido bem à declaração. Por volta das 9h, o Bitcoin se recuperou de cerca de US$ 45.900 e foi rapidamente a US$ 48.700.

Para Daniel Coquieri, fundador da exchange BitcoinTrade, o desfecho é positivo.

O fim das investigações irá favorecer a própria Tether como negócio, como uma das maiores stablecoins do mercado e também afetará, positivamente, o mercado como um todo, incluindo o Bitcoin.

O especialista no setor de criptomoedas, no entanto, conta ao BeInCrypto que vê uma influência cada vez menor da stablecoin no mercado.

Já Carlos Russo, CFO da Transfero Swiss, entende que a decisão, apesar do comunicado que reafirma a suposta fraude da Tether, minimiza riscos para o Bitcoin.

O fato de essa informação já ser algo conhecida do mercado, pro ecossistema passa a mensagem de que é passado, que foi quitado, nada novo foi identificado. E que o Tether está solvente, está tudo bem com a empresa. No longo prazo tende a ser positivo para o ecossistema e reduz drasticamente o risco Tether sobre o Bitcoin.

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Sou jornalista e especialista, pela USP-SP, em Comunicação Digital. Já trabalhei em rádio e impresso, mas boa parte da minha experiência vem do online. Desde 2013, colaboro regularmente com o Grupo Globo na área de tecnologia, onde já cobri assuntos diversos da área, de lançamentos de produtos aos principais ataques hackers dos últimos anos. Também já prestei consultoria em projetos do Banco Mundial e da ONU, entre outras instituições com foco em pesquisa científica. Entrei no mundo das criptomoedas principalmente na cobertura de ataques cibernéticos e golpes no Brasil. Atualmente, faço mestrado em Comunicação Científica na Universidade de Granada, na Espanha. Escrevo para o BeInCrypto desde abril de 2020.

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