O dilema da adoção das criptomoedas

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Atualmente existe um dilema com relação à adoção das criptomoedas pelas grandes instituições e o capital institucional.



Os grandes bancos esperam por uma demanda por parte dos seus clientes para entrar com força neste mercado, por outro lado os clientes esperam o fornecimento desses serviços para que tenham facilidades. Como nenhum dos dois lados tomam uma ação, a adoção das criptomoedas é muito mais lenta do que poderia ser. Existem várias empresas se interessando pela tecnologia blockchain e sobre o mercado de criptomoedas, mas essas grandes instituições ainda não entram de cabeça. Quando entram somente peixes pequenos para verificar a tecnologia, mas não colocam grande investimento no mercado. A cada ano as pessoas comentam sobre o próximo bull run (subida de preços) em função do capital institucional entrando nesse mercado.

Esse capital institucional nunca entrou com um grande volume e existe uma grande probabilidade de que isso ocorre tendo em vista que essas empresas esperam por uma demanda por parte dos seus clientes. Um fundo de investimento não vai pegar o dinheiro de seus clientes e investir em criptomoedas se esse não for o desejo dos seus clientes. Enquanto essa demanda não acontece, o capital que seria investido em criptoativos vai continuar sendo baixo.



Por outro lado, os clientes, que gerariam esse interesse por parte das instituições financeiras, também não demonstram interesse. Possivelmente porque esperam um movimento por parte dessas instituições no sentido de facilitar aos seus clientes o acesso à esse mercado, que ainda traz muitas dúvidas para usuários recém chegados. Como nenhum dos dois lados toma atitude e dá esse primeiro passo, o mercado fique estagnado, aguardando a contra-parte e nada acontece.

O perfil do investidor em cripto

É fácil entender por quê pouco investimento efetivamente entra no mercado de criptoativos: imagine a sua tia, sua mãe, que tem conta no Itaú ou no Bradesco. Ela vai colocar dinheiro em cripto? Provavelmente não, porque o perfil dela é de uma pessoa que busca mais segurança. Ou seja, ela prefere ter seu dinheiro custodiado por uma instituição que lhe passe credibilidade. No dia que o Itaú ou o Bradesco informarem para ela que existe a opção de investir em um fundo de criptomoedas, provavelmente ela vai começar a se interessar pelo assunto e talvez investir algum dinheiro em criptoativos. No entanto, como ela não demonstra interesse para o banco, o banco acha que ela não tem interesse algum e também não vai dar o primeiro passo. As duas partes ficam esperando algo que nunca acontece.

Outro ponto que é relevante para entender esse contexto é sobre a diferença de tipo entre as pessoas que faziam parte desse mercado até dois anos atrás e o tipo de pessoas que estão entrando agora por meio de grandes bancos, grandes fundos de investimento ou outras instituições semelhantes. Os perfis desses dois tipos de pessoas são completamente diferentes, completamente opostos. Enquanto o primeiro grupo entrou no meio cripto devido à tecnologia que possibilitaria liberdade e também acesso financeiro aos mais pobres, o segundo grupo está entrando agora pelo mercado tradicional eles esperam dinheiro.

São pessoas que têm medo de investimentos arriscados e, assim como em seus investimentos nos bancos, elas exigem um determinado nível de segurança. Elas querem passar essa exigência também para o mercado de criptoativos. É por isso que esse grupo solicita a regulamentação, solicita a intervenção estatal, enquanto o primeiro grupo repudia intervenção estatal, porque sabe que uma intervenção do estado provavelmente destruiria o mercado de criptos, destruiria a tecnologia blockchain. Então são dois grupos opostos que agora estão no mesmo mercado e esse segundo grupo representa a grande maioria das pessoas comuns que têm conta em banco, têm medo de perder dinheiro e que exigem regulamentação. Isso significa que crescimento de investimento institucional traz também um crescimento desse segundo grupo.

O dielma

Eis aí o dilema: para que a tecnologia funcione é necessário que o primeiro grupo prevaleça, ou seja, pessoas que pensam na liberdade e na descentralização da tecnologia, mas para que essa tecnologia tenha adoção em massa é necessária a entrada desse segundo grupo, que exige regulamentação e centralização pra colocar o seu dinheiro. Essa distinção de filosofias e prioridades que está ocorrendo agora vai se agravar com o passar do tempo, podendo ocasionar ainda mais forks (bifurcações) nas comunidades de criptomoedas. Se o mercado de criptomoedas fosse igual a qualquer outro setor da economia, todos seriam obrigados a seguir as regulamentações impostas pela maioria, ou seja, por esse segundo grupo que defende impostos e regulação. Como consequência disso as criptomoedas perderiam sua função principal, que é de trazer liberdade para o indivíduo.

https://twitter.com/Crypto_DashXRP/status/1176133489063800832

Os serviços de bancos e instituições regulamentadas possuem um custo intrínseco, o que acaba por restringir o acesso por parte da população mais pobre. Esses serviços têm altas taxas com os bancos e os juros são tão altos que poucas pessoas têm acesso. Isso ocorre porque todas as regras, todos os impostos, todas as regulamentações possuem um custo embutido. Quando os bancos e instituições financeiras cumprem essas regras, eles repassam esse custo para os seus clientes, o que torna as taxas de transação caras e os juros inviáveis. Isso retira a possibilidade de que pobres tenham acesso a serviços financeiros. Caso peguem as criptomoedas insiram as mesmas regulamentações do sistema bancário tradicional teremos um problema semelhante, um sistema bancário tradicional com uma nova tecnologia. Todos os setores da economia seriam levados para os mesmos problemas que existem no mercado tradicional. Felizmente um possível fork permitirá que parte da comunidade acompanhe o primeiro grupo, pioneiro neste mercado, e que é totalmente contrário à regulamentação e à intervenção estatal na economia.

Em defesa do indivíduo

Hoje em dia, muito se fala em defesa de minorias, mas muitos não compreendem que a menor minoria é o indivíduo. O indivíduo é a base da sociedade e impor ao indivíduo os desejos de um grupo de interesse é altamente pernicioso para uma sociedade que se julga livre. O advento da blockchain permite que nenhum grupo possa sobrepor ao indivíduo e a sua propriedade. De modo que mesmo se aquele segundo grupo prevalecer e dominar o mercado, eles não conseguirão impor suas regras ao grupo de pioneiros que preza a liberdade. Caso contrário, as criptomoedas vão terminar com os mesmos problemas que existem em todos os outros ativos do mercado tradicional.

Podemos pensar nas criptomoedas como chaves para correntes. Nós todos estávamos acorrentados em um mesmo local e à partir do momento que ficamos livres e sem correntes cabe nós decidir o que fazer. Podemos escapar para o novo e usufruir de nossa recém descoberta liberdade ou podemos permanecer presos ao velho sistema. O desconhecido é, geralmente, assustador. Como viver sem alguém te dando ordens sobre o que fazer? E se cairmos em um golpe e não tiver alguém para quem reclamar? E se assinarmos um contrato e depois não quisermos cumprir? Em algum momento precisamos amadurecer e encarar a vida de frente. Infelizmente todos esses questionamentos e inseguranças fazem com que boa parte das pessoas prefiram permanecer como escravos no mesmo lugar ao invés de se arriscar em algo novo. O medo de perder tira a vontade de ganhar. Podemos optar por uma falsa segurança nos mantendo imóveis e acorrentados, mas isso não significa que devemos ou que podemos impor essas regras para quem optou se livrar dos grilhões previamente impostos.

Quem optou por um salto de fé em busca de sua liberdade não deve ser forçado a permanecer em um sistema contra sua vontade. Isso é escravidão e é justamente isso que vemos atualmente. O recém chegado segundo grupo está entrando agora e vai se tornar cada vez maior. Eles querem impor suas regras tradicionais de regulamentação estatal para o primeiro grupo que é contra o estado, que não aceita esse tipo de regra e que defende a liberdade e os baixos custos associados às criptomoedas. O primeiro grupo deseja um ambiente onde somente o indivíduo é responsável pelo seu próprio dinheiro. Se quiser contratar um seguro ou não para te proteger de algum risco é uma decisão que apenas o indivíduo pode tomar, pois ele é o responsável por pesquisar e analisar o assunto. O que ocorre quando um grupo quer que todos paguem por esses custos mesmo quando o indivíduo não está disposto a pagar? Quando isso ocorre, muitas pessoas que não têm condição de pagar por isso vão ficar fora do mercado, como ficam fora do sistema bancário tradicional.

Não sejamos covardes de pegar uma arma e colocar na cabeça de uma pessoa para obrigá-la a fazer sua vontade. E não usemos o poder do estado para fazer isso covardemente em nossos nomes. Pode parecer correto para alguém forçar outras pessoas a fazer a sua vontade, mas certamente não é ético. Esse é um dilema ético! Não é ético obrigar outras pessoas a pagar pela sua segurança. O risco é algo inerente a estar vivo é utópico pensar que existe alguma forma de não ter risco. Cabe a cada um escolher qual caminho vai seguir e conviver com as consequências da sua escolha, sejam elas boas ou ruins.

Obrigar os outros a viverem acorrentados por achar que viver livre é muito arriscado não te torna um protetor, mas sim um covarde. Pague por aquilo que julga importante para te proteger, mas não obrigue os outros a pagar pela mesma coisa. Se lhe parece importante ter um seguro contra perdas, faça o seguro e paga por ele. Isso não é um problema… Mas não obrigue os outros a pagar por um seguro que não precisam. Isso mais cedo ou mais tarde pode se voltar contra você. E assim, pouco a pouco, nós vamos perdendo a liberdade… Sábias as palavras de um dos pais fundadores dos Estados Unidos quando disse que aqueles que trocam liberdade por um pouco de segurança não merecem nem uma nem a outra.

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Imagens cortesia de Shutterstock, Twitter

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Vini se formou em geologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil e trabalhou com gerenciamento de projetos na área de exploração mineral em empresas como BHP Billiton e Vale. Ele se envolveu com o bitcoin em 2011, quando comprou suas primeiras moedas através do jogo online “Second Life”, mas usou a maioria de suas primeiras moedas aprendendo a fazer transações e negociar. Depois disso, ele se tornou um entusiasta da tecnologia blockchain e desde então focou sua carreira para esse campo. Recentemente, ele se dedica à programação frequentando o Le Wagon Coding Bootcamp e Ivan On Tech Academy.

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