Pix supera China e pode virar identidade digital, diz ‘pai’ do Marco Civil da Internet

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EM RESUMO
  • Pix deve evoluir para plataforma de identidade digital, diz especialista

  • Modelo brasileiro seria superior ao adotado em pagamentos na China

  • Ronaldo Lemos é um dos criadores do Marco Civil da Internet no Brasil

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Na visão de um especialista brasileiro em direito e tecnologia, o Pix é superior ao modelo de pagamentos chinês. A opinião é de Ronaldo Lemos um dos criadores do Marco Civil da Internet.



Lemos é Mestre por Harvard, doutor pela USP e Professor da Universidade de Columbia, nos EUA. Além disso, é o único brasileiro na cúpula do Creative Commons e considerado uma autoridade no tema de governo digital.



Um dos principais criadores do texto do Marco Civil da Internet, Ronaldo Lemos defende qualidade do Pix

Em live no canal do Banco Central nesta segunda-feira (16), o especialista afirmou que o Pix pode ir além de transferências e pagamentos. Para ele, a infraestrutura criada pelo BC permite o uso em diversos cenários que envolvem identidade digital.

Na minha visão, o Pix pode acabar sendo usado no Brasil como um modelo de identidade digital. Algo que é precioso, e que a gente já viu com a experiência a Índia, Estônia, Canadá e outros, que pode transformar a relação entre o cidadão e o governo.

Pix para usar serviços públicos

Para ele, o QR Code gerado pelo Pix pode servir, no futuro, como identificador para outros tipos de uso. Além de pagamentos, poderá ser possível, por exemplo, mostrar o código para se autenticar em portais do governo. A ideia seria permitir o acesso a diversos serviços públicos pelo celular.

O Pix pode sim ser a infraestrutura para isso. O código QR dele pode ajudar na identificação do cidadão. Quem sabe, no futuro, fazer matrícula no colégio público, procurar e reservar vaga em um hospital público, assinar documentos digitalmente, renovar carteira de motorista, tudo mais o que a gente precisa, [pode] se tornar digital.

Lemos explica que já existe uma experiência similar na Suécia, onde um sistema de pagamentos agrega também uma espécie de identidade digital para acessar serviços. No país escandinavo, no entanto, a infraestrutura é gerida pelos bancos.

Pix é melhor que modelo chinês

Segundo o advogado, o Pix pode acelerar a transformação digital do Brasil, quem sabe, ao mesmo nível da China. Ele conta que ficou impressionando avanço dos meios de pagamento chineses quando visitou o país no ano passado.

A mudança foi tão profunda que, andando pelas ruas de Pequim ou Xangai, dava para notar que mesmo os moradores de rua carregam uma plaquinha com o código QR deles.

Lemos confessa, entretanto, que não esperava esse nível de transformação no Brasil em tão pouco tempo.

Quando eu vi tudo aquilo acontecendo na China, fiquei com a impressão que levaria três, quatro, cinco anos para que o Brasil tivesse uma infraestrutura de pagamentos digitais parecida com aquele nível de transformação. Pois bem, eu estava enganado.

 

Além da celeridade no lançamento, o Pix também chama atenção por seu caráter aberto. Segundo Lemos, dessa maneira, a plataforma seria superior ao que se tem hoje em território chinês.

O modelo brasileiro do Pix, na minha opinião, é ainda superior ao da China. É muito mais aberto, promove muito mais a competição. O modelo chinês foi basicamente gerado por duas empresas apenas [Tencent e Alibaba], que basicamente tomam conta de todo o serviço. No Brasil, o Pix não é de ninguém, é de todos.

O Pix entra em funcionamento para todos nesta segunda-feira (16), e já está disponível em exchanges de criptomoedas no Brasil.

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Sou jornalista e especialista, pela USP-SP, em Comunicação Digital. Já trabalhei em rádio e impresso, mas boa parte da minha experiência vem do online. Desde 2013, colaboro regularmente com o Grupo Globo na área de tecnologia, onde já cobri assuntos diversos da área, de lançamentos de produtos aos principais ataques hackers dos últimos anos. Também já prestei consultoria em projetos do Banco Mundial e da ONU, entre outras instituições com foco em pesquisa científica. Entrei no mundo das criptomoedas principalmente na cobertura de ataques cibernéticos e golpes no Brasil. Escrevo para o BeInCrypto desde abril de 2020.

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