Por que você não deveria colocar DeFi e ICO no mesmo pacote

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EM RESUMO
  • Além do rápido crescimento, o DeFi tem pouco em comum com o boom dos ICOs.

  • Mike Curtis, cofundador da AdAstra.Finance, analisa o setor DeFi para entender por que ele não é o novo ICO.

  • Muitos projetos ICO foram construídos em cima do Ethereum, o que tornou a plataforma um caso de uso compreensível.

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Os acontecimentos do ano de 2017 parecem que foram há uma década para a maioria das pessoas, mas muitos de nós ainda temos memórias vivas, especialmente aqueles que investiram ativamente na última corrida de touros.



A corrida de touros de 2017/18 foi uma época como nenhuma outra. Uma dos eventos mais memoráveis daquela fase foi a chamada mania da Oferta Inicial de Moedas (ICO), em que novos projetos de criptomoedas prometiam ganhos enormes em um curto período de tempo.

Seria difícil ver as palavras “ICO” e “mania” sendo usadas separadamente. Essas duas palavras quase se tornaram sinônimos, e por um bom motivo.



Avance para 2020/21, e teremos outra corrida de touros e uma nova tendência a qual as pessoas estão loucas para fazer parte — DeFi, ou espaço financeiro descentralizado.

Dessa forma, a comunidade fez comparações entre esses dois setores completamente diferentes por causa de seus aumentos meteóricos. Por esse motivo, vou revisar brevemente como ICO e DeFi são diferentes e por que você não deve colocá-los no mesmo pacote.

O Bom, o Mau e o Vilão

A mania dos ICO passou a ter uma conotação negativa entre os investidores, principalmente porque esse setor não cumpriu suas promessas e deixou muitos usuários mais antigos magoados, com um gosto amargo na boca.

No entanto, não foi ruim para todos os lados.

Muitos projetos de ICO foram construídos em cima do Ethereum (ETH), que tornou a plataforma um caso de uso compreensível. A fase ICO representou um período de transição no crescimento do Ether, e pode-se dizer que foi uma experiência necessária.

Atualmente, o rali do Ether desempenha um papel significativo no meio DeFi, e agora ambos se alimentam um do outro. Você poderia até dizer que sem a mania do ICO não haveria DeFi, mas eles não são a mesma coisa. Então, qual é a diferença entre eles?

A primeira diferença notável entre DeFi e ICO gira em torno da facilidade de entrada. Em 2017 era desafiador participar da maioria dos ICOs, enquanto hoje temos um ambiente totalmente diferente com as exchanges descentralizadas. Hoje, o problema de entrada está praticamente resolvido, e é disso que o DeFi se orgulha — ser aberto a todos e abrir caminho para uma nova forma de serviços financeiros.

O meio DeFi tem mineração de liquidez, farm de rendimentos e pools de liquidez, substituindo a forma tradicional de ganhar lucros. Alguns projetos, no entanto, estabelecem padrões irrealistas e projetam retornos crescentes de APY (porcentagem de rendimento anual) que parecem bons demais para ser verdade. Isso confere a todo o mercado uma aparência ruim. Isso também não é o ideal, mas ajudou a atrair os investidores de varejo.

O crescimento maciço da plataforma DeFi como um todo é assustadoramente semelhante a um carro leve acelerando muito além do que sua carcaça de segurança pode suportar. Mesmo assim, é muito diferente da mania dos ICOs e sua substância semelhante a uma “bolha”.

Conforme afirmado por Cameron Winklevoss, o cofundador da exchange Gemini, em um tweet de setembro:

“DeFi não é o mesmo que a mania de 2017 do ICO. Naquela época, o dinheiro era levantado em whitepapers de shitcoins escritos em cafeterias. DeFi já está vivendo e trabalhando na selva. Bilhões de dólares estão rodando, gerando um rendimento positivo. Isso não é vaporware hipotético, é real.”

A afirmação é bastante assertiva, mas a escola mais popular de pensamento afirma que o DeFi se deve a uma correção violenta, semelhante às que o ETH teve em 2017.

Como o DeFi pode contestar essa afirmação?

Faz sentido analisar o DeFi ainda mais para entender por que ele não é o novo ICO.

Vamos dar uma olhada nas “blue chips” do DeFi que se estabeleceram no ano passado: Compound, Aave, Yearn.Finance, Uniswap, Bancor, Balancer e Curve. Muitos desses projetos já podem ser considerados bem-sucedidos mesmo ainda não atingindo seu potencial, apenas arranharam a superfície.

O DeFi criou novos market makers automatizados (AMM) que ajudam a levantar fundos para novos projetos. Ou seja, eles não precisam mais passar pelo processo inicial de oferta de moedas. 

Hoje, os fundos podem ser levantados diretamente com a venda de moedas em uma oferta inicial de liquidez, onde os projetos usam seus tokens e ETH para criar um pool de liquidez. Os protocolos AMM criam um mercado para novas criptomoedas, onde qualquer pessoa pode obter o token sem ser um investidor experiente.

Ao contrário dos ICOs, os investidores do DeFi podem desfrutar de lucros por meio da valorização dos ativos e do uso dos farms de rendimento do DeFi.

Os participantes podem mover constantemente seus ativos entre diferentes pools para obter lucros maiores. Ao mesmo tempo que isso alimenta o mercado DeFi, também condiciona o espaço para esquemas selvagens de “pump e dump”, como pode ser visto em diferentes “tokens de comida” como Hotdog, Kimchi, Sushi, entre outros.

Os entusiastas do DeFi também têm preocupações sobre o status do setor em termos de aplicação de regulamentações, porque, como sabemos pela história, foi isso que acabou com a mania do ICO. 

A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) demorou tempo suficiente para impor uma ação contra os ICOs. Embora a ação tenha atraído muito mais atenção do público para o setor, conforme indicou o Google Trends na época.

Em comparação com a fase do ICO, o DeFi ainda é um subconjunto extremamente nichado do espaço cripto, e as pessoas das finanças tradicionais têm uma compreensão muito vaga sobre esse setor específico.

Apesar disso, o capital total bloqueado (TVL) está aumentando em várias plataformas DeFi para US$ 34,86 bilhões, no momento da redação deste artigo.

O espaço cripto e o DeFi estão evoluindo

As métricas do Google Trends também podem sugerir que o DeFi ainda está na sua infância, pelo menos em termos de popularidade. O setor ainda tem espaço para crescimento, embora tenha ultrapassado em muito os US$ 5,4 bilhões levantados pelas ICOs no primeiro trimestre de 2018.

Hoje, as exchanges descentralizadas (DEX) estão desafiando as centralizadas no quesito de volume diário movimentado. Aqueles que negociam em ambos os tipos de exchange podem ver o potencial de longo prazo do DeFi com mais clareza e sublinhar que este é apenas o começo.

A maioria dos especialistas envolvidos no espaço endossa os casos de uso emergentes e as inovações que surgiram graças ao DeFi. Aqueles que observam a situação de fora estão tendo uma visão mais cética de quão “borbulhante” ela parece. 

A maioria dos problemas do DeFi estão sendo associadas a campanhas de marketing ultrajantes e desenvolvedores hipócritas, e não a seus serviços como um todo.

Claro, a falta de supervisão abre a porta para diferentes golpes, levando investidores sem experiência a investir fundos em projetos que não são fundamentalmente sustentáveis, mas isso também não é nada novo. Aliás, isso é uma das coisas que a tecnologia não seria capaz de resolver inteiramente.

As diferenças entre os booms

Se olharmos um pouco mais fundo, seremos capazes de ver as diferenças entre os dois booms:

  1. Embora os preços variem significativamente, grande parte da volatilidade no DeFi pode ser atribuída à falta de liquidez, uma vez que muitos tokens têm um suprimento restrito, em vez de especulação ou de pumps e dumps.
  2. Projetos DeFi e suas funcionalidades podem ser examinadas e criticadas, algo que não era o caso com alguns ICOs que mais se assemelhavam a um vale-tudo do que a um mercado e que, em alguns casos, nem ao menos tinham um produto.
  3. O DeFi dá aos credores e devedores controle total sobre a definição de suas taxas e requisitos.
  4. Os valores dos ativos DeFi não se correlacionam com os preços do bitcoin (BTC), o que implica que os ativos derivam seu valor da funcionalidade da tecnologia DeFi, não da especulação.
  5. A maioria dos serviços DeFi é construída para atrair usuários não técnicos e projetada para alcançar um adoção em massa.

Finalmente, como o DeFi é inerentemente descentralizado, a sustentabilidade desse boom está nas mãos da comunidade. Se considerarmos a estrutura da rede, construir confiança sistêmica e buscar valor de longo prazo, a funcionalidade e inovação do DeFi podem criar muito mais valor para todos os envolvidos.

Podemos dizer uma coisa com toda a confiança do mundo —  o ecossistema DeFi requer investidores de varejo tanto quanto especialistas, tem um valor claro e além do seu rápido crescimento, tem pouco em comum com o boom do ICO.

Como Mark Cuban apontou de forma assertiva, o DeFi é mais comparável aos primeiros dias da internet, com novos dApps inovadores aparecendo todos os dias no mercado.

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Mike is CTO and co-founder of AdAstra.Finance. He leads software development and customer adoption strategy at AdAstra. Mike is decentralized finance enthusiast and long-time crypto investor. He holds a bachelor degree in Engineering from the Leeds Beckett University and an MBA degree from the University of Gibraltar.

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