Pós-doutor aos 27 aposta em startup de blockchain e cripto para microcrédito na periferia

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EM RESUMO
  • AkinTec é uma startup brasileira que ganhou prêmio de inovação da Câmara Brasil-Espanha.

  • Empresa quer usar blockchain e criptomoedas para bancarizar as periferias.

  • Fundador completou segundo dourado aos 27 anos.

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Fundador da startup AkinTec, jovem negro doutor pela segunda vez aos 27 conta plano para bancarizar periferia com blockchain e criptomoedas.



“Bancarizar diminui o tráfico, diminui o crime organizado, diminui informalidade, aumenta impostos, é um processo sistêmico de economia positiva”, crava Leandro Dias, 31, doutor em economia pelo Insper aos 27, e fundador da startup AkinTec.

Premiada recentemente pela Câmara Brasil-Espanha na categoria de Startup Inovação em Pequenas e Médias Empresas, a AkinTec quer resolver o problema do microcrédito nas favelas e comunidades com uso de blockchain e criptomoedas.



A empresa é um banco digital que espelha todas as suas transações na blockchain da Stellar. O objetivo é criar um banco de dados aberto para ajudar no compliance no longo prazo. Além de uma conta grátis, a startup oferece uma rede credenciada para efetuar saques em dinheiro e quer transformar qualquer pessoa em uma espécie de caixa-eletrônico ambulante.

Os planos, entretanto, são muito mais audaciosos. Em conversa com o BeInCrypto, o fundador revela um esboço de um novo sistema de microcrédito que usa uma criptomoeda própria para viabilizar a operação. Voltada para a periferia, a solução quer ser uma alternativa de empréstimo barato para quem toma, e fonte de renda para que empresta.

O plano é liberar primeiro na modalidade de rendimento por carteira de crédito. O usuário que empresta recebe baseado no rendimento da carteira. A ideia, no entanto, é evoluir para um modelo totalmente peer-to-peer (P2P), em que um cliente pode criar sua própria carteira de crédito pelo celular e receber rendimento do dinheiro emprestado.

Pós-doutorado aos 27 anos e vontade de revolucionar as finanças na periferia

Leandro Dias entrou no programa de trainee do banco ABN Amro em 2010. Desde já, ainda com 19 anos, tinha em mente que deveria usar sua formação para levar a bancarização para a população mais pobre do país, normalmente, como ele diz, “muito maltratada pelos grandes bancos”.

Como eu nasci na quebrada, eu sempre quis fazer uma conexão desses valores sociais, desse propósito social, com o que o banco estava fazendo, já que eu estava sendo formado para ser um futuro líder na empresa.

Na época, ele esteve envolvido em inciativas que apoiaram, por exemplo, o Grupo Cultural AfroReggae, no Rio de Janeiro.

Essa ajuda do AfroReggae fez com que a gente pudesse ter uma entrada no Complexo do Alemão, na Vila Cruzeiro, para abertura da primeira agência de banco dentro de uma favela.

Hoje, no entanto, é na Zona Norte de São Paulo que se concentram os esforços da AkinTec. Fundada em 2018, a startup é sediada na região da subprefeitura Jaçanã-Tremembé da capital paulista, que tem 800 mil habitantes. A ideia era inicialmente oferecer uma solução de open banking com blockchain.

A iniciativa veio depois de uma maratona de capacitação na academia. Dias é administrador pela FEA-USP, economista pelo Mackenzie, mestre e doutor em economia e educação pela Universidad de León, da Espanha, e doutor em Economia de Negócios pelo Insper.

Startup cria lotérica as-a-service

No entanto, a pandemia mudou tudo. Em 2020, a startup pivotou para um modelo que visa transformar pequenos comércios em “agências bancárias”. No começo, porém, surgiu a dificuldade de encontrar um banco parceiro para ajudar na operação. Para Dias, nenhum grande banco ou fintech estava disposta a flexibilizar seus serviços para a periferia.

Nosso público-alvo é de pessoas negras, porque a maioria das periferias é de pessoas negras, pelo processo histórico. A gente teve muita dificuldade de fazer uma parceria com uma instituição financeira que entendesse que o background-check (checagem de histórico) desse usuário seria um pouco diferente.

Foi então que a AkinTec passou de vez de uma plataforma de open banking para uma solução mais completa. Quando um cliente chega em um estabelecimento, pode criar uma conta digital no caixa usando um documento de identificação e passar o cartão na máquina física para sacar dinheiro em espécie. A AkinTec cobra 5% de taxa, mas 3,5% ficam com os próprios comércios, que vão de mercearias a sorveterias e pet-shops.

A gente queria que as pessoas pudessem ter condições de sacar ou depositar um dinheiro na comunidade. A gente criou um fluxo em blockchain entre esses supermercadinhos. O que a gente criou, basicamente, foi uma lotérica as-a-service.

Desde então, a startup acumula 24 mil usuários, 20 mil deles cadastrados apenas durante a pandemia.

Caixa eletrônico ambulante e empréstimo com criptomoeda

O novo modelo de negócios prosperou na pandemia, mas outra mudança voltou a alterar o cenário: a chegada do Pix. Com as transações gratuitas e 24 horas por dia da solução do Banco Central, a startup passou a preparar outra reformulação. Levar todas as soluções para o digital e expandir para qualquer pessoa passou a ser o foco.

A ideia é aproveitar o Pix e permitir, assim, que um usuário possa fazer uma transferência que cai na hora e receber o valor em espécie em qualquer lugar. A taxa, segundo a AkinTec, é bem menor do que a cobrada por qualquer banco na rede Banco24Horas, incluindo fintechs.

Motoristas de aplicativo, por exemplo, podem diminuir o risco [de andar com] dinheiro em espécie disponibilizando para saques ao cliente na hora da viagem.

A startup planeja liberar o recurso gradualmente a partir da fevereiro de 2021. Dessa forma, qualquer pessoa poderá virar uma espécie de agência ambulante para abrir contas e oferecer saques ou depósitos e gerar uma renda extra.

O passo mais ambicioso, no entanto, ainda está por vir. Uma solução de crédito já em desenvolvimento planeja usar a AKIN, uma stablecoin que vale R$ 1,50, para intermediar a operação de crédito. Ela já funciona atualmente para um público restrito, mas deverá ser expandida no ano que vem.

Ninguém segura a gente.

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Sou jornalista e especialista, pela USP-SP, em Comunicação Digital. Já trabalhei em rádio e impresso, mas boa parte da minha experiência vem do online. Desde 2013, colaboro regularmente com o Grupo Globo na área de tecnologia, onde já cobri assuntos diversos da área, de lançamentos de produtos aos principais ataques hackers dos últimos anos. Também já prestei consultoria em projetos do Banco Mundial e da ONU, entre outras instituições com foco em pesquisa científica. Entrei no mundo das criptomoedas principalmente na cobertura de ataques cibernéticos e golpes no Brasil. Atualmente, faço mestrado em Comunicação Científica na Universidade de Granada, na Espanha. Escrevo para o BeInCrypto desde abril de 2020.

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