Profissão cripto: gestor de portfólio, com Alexandre Vasarhelyi da BLP Asset

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EM RESUMO
  • Sócio e gestor de portfólio de criptomoedas da BLP, Vasarhelyi fez carreira no mercado financeiro.

  • Engenheiro por formação, ele ajudou a criar o primeiro fundo de criptomoedas do Brasil.

  • O começo, logo após a máxima de 2017, foi desafiador.

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Sócio e gestor de portfólio da BLP Asset, Vasarhelyi fala sobre a profissão, dá detalhes da carreira e diz o que é preciso para chegar lá.

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Saí e fui ao banheiro, voltei e tinha caído 16%. Foi uma barra de 15 minutos. Neste dia eu parei e pensei o seguinte: se eu não posso ir ao banheiro, não dá pra eu operar esse negócio.

Após uma carreira consolidada no mercado financeiro, esse foi o momento em que Alexandre Vasarhelyi percebeu que o mundo cripto era diferente.

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Com vasta experiência na tesouraria de grandes bancos de investimento como Indosuez, ING, e Pine, além de passagem pelo Deutsche Bank, Vasarhelyi é sócio e gestor de portfólio da BLP Asset, criadora do primeiro fundo de criptomoedas do Brasil.

Em conversa com o BeInCrypto, Vasarhelyi conta o que faz um gestor de portfólio, os desafios da profissão e como fazer – ou quais caminhos é possível traçar – para chegar lá.

O que faz um gestor de porftólio de criptoativos?

É muito parecido com um gestor de fundo de ações. O dia a dia é basicamente estudar os protocolos, que hoje são 8 mil, e tentar compor uma carteira englobando todos os setores. A gente divide o nosso portfólio em quatro temas: o tema “moeda”, porque o Bitcoin é o ativo mais importante do ecossistema; o tema “sistemas operacionais”, como Ether, Cardano, EOS, Lumen.

Esse é um tema que a gente entende que é bastante importante hoje porque nenhum dos protocolos conseguiu entregar a versão final. O Bitcoin já está na versão final, porque não precisa de mais nenhuma linha de código. Os outros todos ainda precisam de muita programação.

Daí o terceiro tema são os “Dapps”, que vai florescer quando os sistemas operacionais estiverem mais robustos. também um subtema de Dapp, que é o DeFi. O DeFi fala muito com a nossa experiência, que é o mercado financeiro. O DeFi está se propondo a substituir o mercado financeiro, que a gente bem como funciona. Eu não tenho dúvida nenhuma do DeFi, o Bitcoin resolve essa questão na cabeça. Quando eu comecei era uma dúvida: “vai funcionar ou não?”. Mas, com o sucesso do Bitcoin, ele abre o caminho para o resto.”

Também tinha a Bitconnect,

mas era fácil de ver que era pirâmide.

Como um gestor seleciona os ativos que irão compor o portfólio?

Tem muitas coisas que a gente olha. A primeira coisa é o problema que ele se propõe a resolver. Daí tem a aplicação pequena e a aplicação gigante, como o Ethereum, que quer ser o computador mundial – se funcionar, tem um potencial gigante de crescimento.

O segundo é quem é a equipe. Como está a comunidade? O que tem no Github? Eles vão conseguir transformar a visão em um produto? Aí entra uma parte mais numérica. Em DeFi, por exemplo, a métrica é TVL (Total Value Locked).

XRP a gente nunca teve

A Maker, por exemplo, a gente compra pro fundo em 2018. Quando eu vi aquilo fiquei doido. Fiz todas essas três coisas e também fiz a quarta, que foi ir lá e usar. Tomei um empréstimo de US$ 100 e levei 47 segundos.

Eu fui tesoureiro de um banco de crédito e pensei: pra alguém tomar um empréstimo num banco, na pessoa física, vai levar um mês. Se tem uma coisa aqui que eu posso tomar empréstimo colateralizado em 47 segundos, eu quero esse negócio.

XRP a gente nunca teve. E a gente chegou a falar com o pessoal da Ripple. Quando a gente lançou o fundo e começou a montar a carteira, a XRP bate a máxima vindo de nada. Depois estudamos e nunca entendemos muito bem a função e a utilidade dele. Eles dizem que vão substituir o Swift, que a gente sabe que é pequeno. Tinha também a Bitconnect, mas era fácil de ver que era pirâmide.

Início de carreira: como um engenheiro foi parar no mercado financeiro?

Quando eu me formei não tinha muito emprego. Então, quem estava empregando era o mercado financeiro. Eu tive a sorte de entrar em 1993 e em 1994 entrou Plano Real, que mudou muito o papel do setor financeiro na economia. Então nesse sentido foi sorte, eu entrei porque não tinha emprego.

Minha primeira função foi levar cheque.

Como eu peguei uma época de muito crescimento, foi muito interessante. Lá em 94 a 97 era um pouco como cripto, todo dia alguma coisa nova. Então engenheiro, que tem uma visão mais cartesiana, se dá bem em profissões em que isso é importante. O mercado financeiro é uma delas.

Meu primeiro emprego foi como office boy no Garantia. Minha primeira função foi levar cheque. Depois fui promovido e comecei a fazer cheque. E daí saí do Garantia porque abriu uma vaga no Indosuez. Precisavam de alguém para fazer backoffice de bolsa. Eles tinham muitos clientes estrangeiros e precisavam de alguém para ajudar a liquidação.

Daí virei gerencial, que é uma das funções boas, porque você vê o resultado das carteiras. E, na sequência, eu fui para a tesouraria. Em 1994 eu já estava na tesouraria do Indosuez.

Paixão à segunda vista pelo Bitcoin

Antes de virar gestor de portfólio da BLP, Vasarhelyi passou sete anos no Indosuez e chegou a ser gestor de hedge fund no Deutsche Bank por dois anos antes de assumir a tesouraria no banco ING e do banco Pine no Brasil. Foi então que, em meados de 2016, seu velho conhecido de banco Garantia, Axel Blikstad, comentou sobre o Bitcoin pela primeira vez.

Eu me apaixonei pelo Bitcoin.

Minha primeira reação foi de negação. ‘Isso daí é China, isso é lavagem, isso é pirâmide’. Repeti tudo o que lia no jornal. Nessa época [o BTC] estava US$ 600, daí chegou no final do ano bateu US$ 1 mil. Eu pensei: ‘quando ele me falou estava US$ 600, agora está US$ 1 mil. O Axel não é bobo, então nesse diálogo o bobo aqui deve ser eu’.

E aí entra o que eu falo: um bom trader não pode ter compromisso com o erro. Aí eu falei: ‘deixa eu estudar’. Bem no começo de 2017, comecei a estudar e fui “down the rabbit hole” como falam. Aí me apaixonei muito rápido. Na hora que eu peguei para ver foi rápido. Eu me apaixonei pelo Bitcoin.”

Após se encantar de vez com o Bitcoin, o tesoureiro de grandes bancos propôs ao amigo Axel a criação de um fundo de criptomoedas no Brasil – o primeiro do país. A primeira conversa aconteceu no começo de 2017, mas foi somente no meio daquele ano que Glauco Cavalcanti, que também vinha do mercado financeiro, se juntou à dupla e o projeto andou.

Como foi criar o primeiro fundo cripto do Brasil após a máxima de 2017?

“Primeiro, a gente não sabia que era a máxima”, brinca Vasarhelyi

Eu pensei: ‘tem tanta coisa pra fazer’. Um pouco o que o trader gosta são esses mercados subdesenvolvidos, que era cripto no início de 2017. Era bem pouco desenvolvido comparando com hoje. Tinha até preço diferente em bolsa.

Demorou muito mais tempo do que a gente imaginava, porque a gente teve que construir o tal do encanamento. Foi muito difícil fazer isso. A gente consegue lançar o fundo em 1º de janeiro de 2018.

Tem gente que já quintuplicou, sextuplicou. O cara que multiplicou por seis, nem ele imaginava.

A gente conseguiu terminar o encanamento quatro dias antes, dia 26 de dezembro. E a gente estava vendo o mercado super forte. Mas o Bitcoin é um criptoativo, ninguém sabe se sobe ou se cai.

Fizemos uma venda para amigos e parentes. Foi uma venda muito correta, falando ‘isso aqui é pra longo prazo, coloque muito pouco, na caixinha de cinco anos, pelo menos’. Por um lado, em 2018 o fundo caiu uma barbaridade, por outro a gente não teve ruído dos clientes, porque eles estavam avisados. A gente começou a falar com os clientes em julho de 2017, então eles viram sair dos US$ 3.500 e bater US$ 20 mil. Quando a gente lançou o fundo estava em US$ 14.100.

Mas, foi muito difícil. Ter clientes é muita responsabilidade para um gestor, você está lidando com o dinheiro dos outros. É uma responsabilidade pesada. Tem gente que já quintuplicou, sextuplicou. O cara que multiplicou por seis, nem ele imaginava.

O gestor de portfólio tem que ter a mente equilibrada para atuar nesse ramo?

“Senão não dorme. Se não tiver acostumado com esse tipo de atividade é muito difícil até fisicamente. Os mercados ficam abertos o tempo todo, todos os dias. É um nível de estresse emocional grande. Ainda bem que eu fiquei 20 anos em tesouraria, porque não foi fácil. Obviamente quando cai é tensão e sofrimento, mas quando sobe também há tensão. Porque a gente faz muito par de um [criptoativo] contra o outro, então quando o Bitcoin sobe, é dia de muita atividade, você tem que tomar decisões.

Não tem fim de semana, é o tempo todo. Lá atrás eu usava alarme de preço, hoje em dia não porque o portfólio está mais estável. Mas lá atrás eu ficava várias madrugadas olhando mercado. Porque Coreia era muito importante, por exemplo. Das 3h às 6h ficava operando, monitorando. Hoje eu já acho que a relevância maior é mercado americano. Os projetos asiáticos que eram muito importantes perderam relevância. De lá o que é importante é BNB, Cardano. Se você olhar os ativos que eram grandes em janeiro de 2018 e olhar agora, muita coisa foi embora, despencou no ranking.

Colegas do mercado financeiro criticaram a mudança para gestor de portfólio cripto?

“As pessoas são céticas e isso é natural, não vejo com maus olhos. As pessoas no mercado financeiro tendem a ser mais céticas porque quando você lida com dinheiro, o que vem de responsabilidade e o que vem de historinha é bastante coisa. Então acho natural. E o criptoativo tem uma característica que é bem atípica: é muito diferente e muito complicado. São duas coisas que se você não parar e dedicar uma quantidade boa de horas, você não consegue entender nem o mínimo. Acho interessante que o Ray Dalio talvez seja o grande investidor da atualidade, escreve uma carta dizendo que não entende nada de Bitcoin. Ele fala “não sou especialista” várias vezes, ele tá dizendo que não se sente confortável ainda de opinar. Isso mostra um nível de complexidade.

Qual o caminho para se tornar um gestor de portfólio no mundo das criptomedas?

Eu acho que tem vários caminhos. O caminho menos difícil é buscar uma formação em finanças. Antigamente tinham aqueles caras que não tinham formação nenhuma e acabavam virando gestores porque eram excelentes traders. Só que hoje em dia você ser um excelente trader num mundo que é só algoritmo… ter que ganhar do robô é muito difícil. Acho que esse tipo de especialização não funciona mais. O mercado se desenvolveu demais. Então o melhor caminho que eu vejo é ser muito bom em matemática, em programação e virar quant [trader quantitativo]. Porque eu acho que a maioria dos produtos vai virar quant. Sou do tempo em que se chegava à mesa e, com um telefone, se ganhava dinheiro. Sem ler jornal nem nada. Hoje é muito diferente do que era.

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Sou jornalista e especialista, pela USP-SP, em Comunicação Digital. Já trabalhei em rádio e impresso, mas boa parte da minha experiência vem do online. Desde 2013, colaboro regularmente com o Grupo Globo na área de tecnologia, onde já cobri assuntos diversos da área, de lançamentos de produtos aos principais ataques hackers dos últimos anos. Também já prestei consultoria em projetos do Banco Mundial e da ONU, entre outras instituições com foco em pesquisa científica. Entrei no mundo das criptomoedas principalmente na cobertura de ataques cibernéticos e golpes no Brasil. Atualmente, faço mestrado em Comunicação Científica na Universidade de Granada, na Espanha. Sou editor-chefe do BeInCrypto Brazil desde abril de 2021.

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