Remoção da Dash de exchanges coloca em questão se criptomoeda é privacy coin ou não

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EM RESUMO
  • Nesta sexta-feira (15), a exchange Bittrex vai interromper as negociações de Dash na sua plataforma.

  • Além da Dash, as criptomoedas Monero e Zcash também serão removidas.

  • Representantes da Dash criticam o entendimento equivocado de que a criptomoeda é uma privacy coin.

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The Trust Project é um consórcio internacional de veículos de notícias que criam padrões de transparência.

Nesta sexta-feira (15), a exchange Bittrex vai interromper as negociações da criptomoeda Dash na sua plataforma.



A exchange incluiu a Dash, ao lado de criptomoedas como Monero e Zcash, na sua lista de de ativos que serão removidos da plataforma por serem considerados ‘privacy coins’.

Esse tipo de criptomoeda engloba os ativos que têm a privacidade como ponto central de seus projetos. Incluem, desde a concepção do ativo, mecanismos que garantem o anonimato das transações e preservam a privacidade do usuário.



As criptomoedas com essas características, no entanto, são criticadas por diversas autoridades, principalmente porque elas acabam atraindo um público que precisa do anonimato para ocultar atividades ilegais, como lavagem de dinheiro.

Dessa forma, muitas exchanges acabam optando por não oferecer suporte aos ativos em suas plataformas a fim de evitar sanções de órgãos reguladores.

A Dash, no entanto, não se define como uma privacy coin. O CEO da Dash Core Group, Ryan Taylor, compartilhou o descontentamento com a decisão da exchange Bittrex de remover a criptomoeda.

“A funcionalidade de privacidade da Dash não é maior que a do Bitcoin, tornando o rótulo de “moeda de privacidade” um nome impróprio para Dash.”

Por esse motivo, Taylor defene que a Dash não deveria estar na mesma categoria que criptomoedas como o Monero e Zcash.

O início da Dash

A Dash foi criada em 2014 através de uma bifurcação (hard fork) do blockchain do bitcoin. Quando foi lançada, o intuito da Dash era ser usada como dinheiro digital, permitindo transações instantâneas e privadas. No entanto, o projeto mudou de rumo nos últimos anos, abandonando, aos poucos, o apelo à privacidade.

O BeInCrypto conversou com o Rodrigo Digital, Youtuber e diretor de série de documentários sobre criptomoedas na Venezuela, Colômbia e Suíça. No seu canal, apoiado pela Dash, Rodrigo fala diariamente sobre criptomoedas e as novidades do mercado.

De acordo com ele, muitas confusões sobre a Dash acontecem por causa das  características que o projeto trazia na sua origem, mas que com o tempo, foram sendo deixados de lado. 

“A Dash antes se chamava DarkCoin e era focado em privacidade, porém depois de um tempo a comunidade decidiu mudar o rumo do projeto e virou DASH. Organicamente a organização decidiu focar na plataforma para competir diretamente com Ethereum em contratos inteligentes, NFT e outras características do tipo.”

PrivateSend

Apesar de não ser uma privacy coin, a criptomoeda conta com recursos opcionais de privacidade. No caso da Dash, o serviço chamado PrivateSend permite ao usuário fazer o “mixing” de criptomoedas. Ou seja, ele pode ocultar dados da transação como a quantia enviada e os participantes. 

Além disso, outros ativos que não são focados em privacidade, como o próprio bitcoin, contam com o mixing de criptomoedas, como por exemplo o CoinJoin. Conforme Rodrigo, o PrivateSend da Dash “não é nada mais nada menos que o CoinJoin do Bitcoin, sem nenhuma diferença”.

Em média, 9% de todas as transações da Dash são feitas utilizando o PrivateSend, um número pequeno para determinar a criptomoeda como uma privacy coin.

O anúncio de remoção da Dash da Bittrex aconteceu no mesmo momento que diversas exchanges dos Estados Unidos removeram a criptomoeda XRP de suas plataformas, como consequência do processo da SEC contra a Ripple.

De acordo com Rodrigo, no entanto, esse processo não tem ligação direta com a remoção da Dash da exchange, uma vez que são projetos com características diferentes.

“O XRP foi 100% pré-minerado e houve ofertas de venda particular. Já a Dash continua sendo emitida como o BTC… sua mineração total só termina em cerca de 140 anos.”

Dash responde FinCEN em carta

No final do ano passado, a Rede de Combate a Crimes Financeiros (FinCEN) dos EUA, publicou uma proposta de regulação muito criticada pela comunidade cripto. A proposta poderia obrigar provedores de serviços, como por exemplo a Square, a manter registros e relatar detalhes de transações de criptomoedas.

Na proposta, aliás, a FinCEN cita explicitamente a Dash como uma Criptomoeda de Anonimato Aprimorado (AEC, na sigla em inglês). Por esse motivo, a empresa enviou ao governo uma carta para esclarecer porque a rotulação está equivocada e como tal entendimento impacta no ativo. 

“Esta caracterização está tendo um impacto negativo material nas operações da rede Dash. Exchanges de criptomoedas em todo o mundo começaram a remover a criptomoeda Dash com base nas afirmações repetidas (e equivocadas) do governo dos EUA de que Dash é um risco de lavagem de dinheiro.”

A batalha das criptomoedas de privacidade

Em outubro de 2020, FinCEN enquadrou pela primeira vez na história o mixing de bitcoin um crime. Na ocasião, aplicou multa de R$ 336 milhões ao criador das empresas Helix e Coin Ninja. 

Anteriormente, o governo dos Estados Unidos chegou inclusive a oferecer uma recompensa US$ 625 mil a quem conseguisse quebrar a privacidade do Monero ou da Lightning Network.

Além disso, o mecanismo do CoinJoin que promove o anonimato das transações para criptomoedas que não são privacy coins, como o Bitcoin e Dash, também já foi fortemente criticado pela Europol. 

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Saori Honorato é jornalista e para o BeInCrypto escreve sobre os principais acontecimentos do universo das criptomoedas.

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