Visa cripto: é mais fácil EUA ter cartão com stablecoin de real do que o Brasil, avalia especialista

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EM RESUMO
  • No início da semana, a Visa passou a liquidar pagamentos com a stablecoin USDC através da rede Ethereum.

  • A novidade elimina a necessidade de converter criptomoeda em dinheiro fiduciário, como era feito até então.

  • Especialistas avaliam o que isso representa para o mercado cripto e se novidade chega em breve ao Brasil.

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O anúncio do cartão Visa compatível com a criptomoeda USDC anunciado no início da semana foi recebido com otimismo pelo mercado, mas a regulação brasileira pode atrasar a novidade no país.



A Visa, uma das maiores companhias de pagamentos do mundo, liquidou pela primeira vez um pagamento em criptomoeda através da rede Ethereum, eliminando a necessidade de converter o ativo em dinheiro fiduciário, como era feito até então.

Este tipo de transferência está sendo feita com a stablecoin USD Coin (USDC), pareada ao dólar americano, e disponível, por enquanto, apenas no cartão da plataforma Crypto.com.



Com 2,5 bilhões de cartões da Visa circulando o pelo mundo, a entrada definitiva da companhia no mundo das criptomoedas é um acontecimento e tanto. 

Mas será que isso chegará ao Brasil em breve? Ao BeInCrypto, a Visa Brasil comunicou que os planos estão na mesa, apesar de não revelar se de fato o projeto está sendo desenvolvido no país.

“Esse projeto foi iniciado nos EUA, mas a empresa está  atenta a oportunidades de mercado em outros países. Antevendo as movimentações do mercado, a Visa já vem atuando neste segmento. No Brasil é pioneira e está trabalhando com empresas como Alter, Zro Bank e Ripio.”

A Visa flerta com o meio cripto há alguns anos e sua bandeira é usada em ao menos 35 plataformas de criptomoedas pelo mundo, segundo a empresa. Além disso, a companhia facilitou o surgimento do primeiro cartão de criptomoedas do Brasil em 2016, criado em parceria com a Bit.one, atual Transfero Swiss.

Apesar deste produto não ter ido para frente, a Visa em seguida abraçou outras iniciativas brasileiras e hoje, sua bandeira é usada nos cartões cripto do Alter e Zro Bank. A exchange argentina Ripio também tem planos de lançar esse ano um cartão cripto da Visa destinado ao público brasileiro.

Essas opções no mercado, no entanto, não transacionam criptomoedas de forma direta, e sim as convertem em moeda fiduciária no momento da liquidação.

Em conversa com o BeInCrypto, Thiago Cesar, CEO da Transfero Swiss, conta que a integração da USDC com a Visa comprova que as stablecoins agora fazem parte do mainstream financeiro mundial, dessa forma representa algo positivo para o mercado cripto como um todo.

“Ao abrir precedentes para USDC, a Visa mostra que acredita na tecnologia blockchain como uma rede confiável para processar pagamentos. Ela está olhando no futuro para usar as stablecoins para a troca entre moedas fiduciárias, e não depender mais somente da rede SWIFT e da rede internacional bancária, por exemplo.” 

Além de ter estado à frente da primeira experiência com cartão cripto no país, a Transfero Swiss é responsável por emitir a BRZ, considerada a maior stablecoin pareada ao real do mercado.

Incerteza regulatória pode atrasar serviços no Brasil

Apesar do otimismo, o novo serviço da Visa pode demorar um pouco mais para estar disponível no Brasil por uma questão central: regulamentação.

Em janeiro de 2021, o Gabinete de Controladoria da Moeda (OCC) dos Estados Unidos, passou a permitir que bancos e companhias de pagamentos usem blockchains públicas e stablecoins como infraestrutura de liquidação no sistema financeiro.

O sinal verde dos reguladores norte-americanos foi fundamental para que empresas de grande porte como a Visa integrassem o ecossistema das criptomoedas aos seus serviços, até então “tradicionais”.

O mesmo nível de inovação, no entanto, ainda não está presente na legislação brasileira. Para o CEO da Transfero, a incerteza regulatória pode atrasar a entrada dos novos serviços da Visa no Brasil.

“No Brasil não há clareza sobre o assunto. Mas também, é claro, não existe nenhuma lei ou regulação que proíba esse tipo de atividade. Geralmente, a tomada de decisão nas empresas financeiras reguladas depende de um direito positivado, ou seja, elas precisam que alguém fale que pode para começar a fazer. Por isso, é possível que no Brasil esse serviço da Visa demore mais para chegar, mas certamente em algum momento virá.”

Ele destaca que a liquidação de pagamentos com stablecoin vai virar realidade no Brasil apenas quando houver sinalização positiva do Banco Central ou de outra entidade respeitada pelo sistema financeiro.

EUA pode ter cartão com stablecoin em reais antes do Brasil

De acordo com Cesar, como a BRZ é a stablecoin brasileira de maior volume do mercado, o projeto se beneficiaria caso a Visa replique os serviços disponíveis nos Estados Unidos aqui no país.

“É muito possível que a BRZ já esteja liberada nos Estados Unidos para fazer isso, antes mesmo que no Brasil”, especula o executivo. “Nós sabemos que as grandes bandeiras segmentam suas atividades por países e a conversa com a Visa no Brasil é diferente da conversa da Visa nos EUA, então a gente teria que ter essa conversa de uma maneira também segmentada. Me parece mais fácil isso acontecer nos Estados Unidos, pela sinalização regulatória positiva, do que no Brasil, com as incertezas que temos no nosso arcabouço jurídico”, projeta Cesar.

Ele ressalta que agora está nos planos da empresa “explorar esse tipo de oportunidade”, uma vez que eles já possuem um contato estabelecido com os emissores da USDC, a primeira stablecoin usada pela Visa.

Além da Transfero Swiss, outros participantes do mercado também estão se preparando para aproveitar a abertura sinalizada pela Visa no início da semana.

O Alter, por exemplo, lançou há dois anos atrás um cartão de criptomoedas pré-pago da Visa, aliado a uma conta digital que permite ao usuário manter saldos em reais e bitcoin. Para Vinicius Frias, CEO do Alter, a entrada da companhia no setor cripto vai potencializar as iniciativas que atuam hoje nesse espaço. 

“Estamos prontos, inclusive, para ajudar a Visa em qualquer tipo de adaptação regional necessária para as dificuldades do Brasil, que são sempre peculiares. Inclusive, o Alter é hoje, no segmento de criptobancos, o único player que trabalha com stablecoin nacional (cBRL) e podemos eventualmente ajudá-los com isso”, explica Frias.

Adoção de criptomoedas por bancos tradicionais

Desde fevereiro de 2021, a Visa testa nos EUA o seu programa piloto de API, que funcionará como uma ‘ponte’ para que os clientes da companhia, como os bancos digitais, ofereçam serviços de compra, custódia e negociação de criptomoedas. 

O vice-presidente de Novos Negócios da Visa no Brasil, Eduardo Abreu, afirmou recentemente que a companhia quer oferecer aos seus clientes brasileiros a capacidade de integrar as criptomoedas.

No futuro, caso os grandes bancos digitais como o Nubank, Inter e C6 entrem para o setor das criptomoedas, as fintechs 100% cripto poderiam ter seu diferencial ameaçado. Na opinião de Vinicius Frias, no entanto, é muito improvável que isso aconteça.

“Ainda é preciso entender melhor até onde as APIs irão, mas não vejo isso como retirada de diferencial. No Brasil, o mais rápido avança frente aos maiores. O Alter oferece experiência de cripto, pois somos especialistas nesse assunto. O foco dos bancos digitais “tradicionais” não é a criptomoeda e a blockchain. Eles estão em outra competição e acho improvável que irão se desvirtuar nesse momento”.

Aliás, Frias afirma que caso o novo projeto da Visa se mostre vantajoso aos negócios do Alter, eles serão os primeiros a querer integrá-lo.

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Saori Honorato é jornalista e para o BeInCrypto escreve sobre os principais acontecimentos do universo das criptomoedas.

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